CASO ENCERRADO (Parte I)

 

1 de julho de 2017

 
Por William Douglas, professor, escritor e juiz federal. www.williamdouglas.com.br

Um livro que li classifica as pessoas em “construtores” e “não construtores”. O primeiro grupo cria coisas, muda futuros, realiza-se. As pessoas “não construtoras” são as que, por alguma razão, acabam não conseguindo ter metas, ou concretizá-las. Razões para isso existem muitas, claro.

Você, concurseiro, por suas escolhas e atitudes, por estar aqui lendo sobre como passar…

certamente faz parte do grupo de construtores. Gostaria que fosse, então, um construtor de primeira linha e que não esmorece diante dos desafios que vêm naturalmente. É, de fato, não existe um carimbo de “CONSTRUTOR” e outro de “NÃO CONSTRUTOR” com o qual alguém bata na testa dos recém-nascidos. As pessoas é que vão escolhendo o que se tornarão através de suas atitudes, pensamentos e comportamentos.

A soma de atitudes e pensamentos define os comportamentos e estes definem os resultados.

E, claro, somos nós quem definimos, pela escolha ou pela omissão, quais serão nossas atitudes (posturas diante da vida e dos desafios) , nossos pensamentos (o primeiro “campo de batalha”) e nossos comportamentos (que, no final das contas, são o vetor que muda a realidade material, o mundo externo).

Embora possam existir decisões pontuais, grandes, emblemáticas, em regra o que define os resultados é uma série de milhares de pequenas decisões cotidianas. Colhemos o que plantamos e essa é uma atividade do dia a dia, da rotina que adotamos.

Pois bem, um dos pontos a serem observados para sermos bons construtores, bons realizadores de idéias, bons alteradores da realidade, é a capacidade de dar um ponto final em algumas situações. É a idéia do “caso encerrado”.

Segundo o livro Sucesso Feito para Durar – Histórias de pessoas que fazem a diferença (Jerry Porras, Stewart Emery e Mark Thompson. Porto Alegre: Bookman, 2007):

“Os Construtores acabam optando por deixar algo para trás não porque o estejam negando, mas porque devem se manter focados no que estão construindo. Isso não significa que tudo foi perdoado, ou que a dor está completamente curada, ou que todas as injustiças que podem ter sofrido foram ignoradas. Eles tentam reescrever a história ou limpar sua ficha. Tampouco fingem que nada aconteceu. Eles simplesmente decidem encerrar o caso e seguir adiante. Ficar obcecado com os ressentimentos mantém vivos esses mesmos ressentimentos; deixá-los para trás os obriga a morrer enquanto retomamos nossa vida.

Alguns chamam isso de ‘conclusão’ ou ‘absolvição’, o que no entanto implica que há perdão, resolução ou restituição  ou  pelo menos uma apologia adequada. Infelizmente, quando acontecem coisas ruins, muito do que ocorre raras vezes é resolvido ou sanado completamente. Mesmo assim, os Construtores encontram um caminho para seguir adiante, de forma que possam criar seu futuro. A raiz da palavra ‘perdoar’ (forgive) é deixar para lá  encerrar.

‘Encerrar é uma palavra forte’, disse a reverenda Deborah Johnson. ‘Quando algo é encerrado, acabou. Quando está encerrado, não se dica voltando ao assunto.’ Tal é a forma como as pessoas bem-sucedidas procedem. Elas não chamam isso necessariamente de perdão, mas, com efeito, deixam de fazer da culpa um meio de vida.”

É exatamente sobre este tema que pretendo tratar este artigo: encerrar, terminar, finalizar

coisas. O trecho acima versa exatamente sobre a capacidade de colocar um ponto final sobre assuntos que incomodam de alguma forma, seja por trauma, injustiça ou revolta. Claro, isso não quer dizer esquecer a lição ou não extrair de acontecimentos ruins ou injustos algum aprendizado ou determinação para mudar o estado das coisas. O que não funciona é ficar se martirizando e vivendo no passado.

Muitas pessoas me escrevem relatando dificuldade em superar acontecimentos de suas vidas, sejam pessoais, sejam profissionais ou financeiros e até em relação a matérias e professores com as quais houve algum trauma. Tudo isso influencia a vida cotidiana e, claro, a maratona dos concursos

Existem vários exemplos, tanto no plano pessoal quanto no plano profissional. No nosso caso específico, juntarei o “profissional” ao pessoal e tratarei em separado do campo da preparação para provas e concursos. Contudo, como sempre disse em meus livros, as questões pessoais (autoestima, autoconfiança, família, saúde etc.) influenciam decisivamente a questão profissional.

NO CAMPO PESSOAL:

  • Exemplo 1 – Um pai ou mãe que perdem um filho e não são capazes de recomeçar a sua vida, como se fazer isso fosse uma traição ao filho falecido
  • Exemplo 2 – Um empreendedor que perdeu todas suas economias em um negócio ruinoso, ou por ter sido enganado pelo sócio, ou vítima de uma tragédia (incêndio, desastre etc.).
  • Exemplo 3 – Um homem ou mulher não conseguem reconstruir sua vida após uma separação, divórcio ou traição.
  • Exemplo 4 – Uma pessoa não consegue seguir adiante após algum fato muito desagradável, como uma humilhação pública ou uma demissão injusta. Conheço casos de pessoas cujas vidas ficaram literalmente paradas aguardando, por exemplo, um processo judicial cível ou trabalhista que, em tese, iria reparar a injustiça sofrida. Contudo, não estavam sendo capazes de deixar o processo andar e ir cuidar de suas vidas. E, com a morosidade do Judiciário, imagine o quanto problemático é deixar a vida parada até que um processo se resolva, já que todos sabem que isso pode demorar anos, até décadas
  • NO CAMPO DOS CONCURSOS, existem vários tipos de “traumas”:

  • Exemplo 1: as reprovações (especialmente as injustas ou por poucos décimos), o que vai se agravando caso a pessoa comece a demorar a passar ou a ter reprovações em muitos concursos seguidos. Isso é tanto mais grave quanto menos a pessoa tiver a noção de que os concursos são um projeto de médio a longo prazo.
  • Exemplo 2 – pessoas que passam, mas não estão entre os classificados. Ficam em 150.000, 20.000 etc., e acham que nunca chegarão na zona de chamada. Bem, nesse concurso não, mas nos futuros isso irá acontecer desde que continue a melhorar, ainda mais sabendo que os que estão sendo aprovados não voltam para fazer de novo o mesmo concurso.
  • Exemplo 3 – Pessoas que passam entre os classificados ou em classificação que permita ser chamado no prazo do edital, mas que não são convocadas imediatamente. Nessas hipóteses, passam muito tempo numa angústia sobre se “dará tempo ou não” de ser chamado. O pessoal em cadastro de reserva também sofre com essas dúvidas. Embora seja útil fazer concurso para “cadastro de reserva”, a ansiedade sobre eventual chamada ou não pode ser ruim se não for controlada.
  • Exemplo 4 – Pessoas que são aprovadas honestamente em um concurso e o mesmo é anulado por fraude, ou que ouvem boatos (às vezes não é só boato, infelizmente) de fraude no concurso.
  • Exemplo 5 – Pessoas que estão estudando seriamente para concurso, com antecedência, Às vezes tendo largado o emprego, e que são “atropeladas” por medidas e anúncios governamentais de que não haverá concurso aquele ano ou para aquele cargo.

Ainda há outros casos, como os das pessoas com dificuldade de conciliar estudo e trabalho ou o relacionamento aos estudos etc. É para todas essas pessoas que quero sugerir o carimbo de “CASO ENCERRADO”.

Ele é uma simples e eficiente solução para solucionar seus conflitos dando um “basta” ao sofrimento, encerrando o assunto e abrindo espaço para mudanças e melhorias.

Se você tem algum caso que mereça ser encerrado, pode contá-lo para mim através do contato deste site, do meu site ou da minha comunidade no Orkut. Em qualquer caso, hoje a idéia é trazer o tema à discussão. Semana que vem falarei mais um pouco sobre o assunto.

Pense se você está gastando energia emocional com o passado, decida  se for o caso  a dar umas “carimbadas” de “CASO ENCERRADO” e, este é um convite, volte semana que vem para conversarmos mais sobre este assunto. Com abraço fraterno,

William Douglas

1 de julho de 2017

 

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