Colonialismo e Neocolonialismo. Você com certeza já ouviu falar de um, de outro ou dos dois. Em um bate papo rápido, você se lembra das diferenças entre os ambos?

 

14 de julho de 2017

 

O colonialismo e o neocolonialismo, apesar de serem termos diferenciados apenas por “três letras”, tem grandes diferenças históricas. Ocasionalmente um dos dois ou ambos são tópicos de provas de História em concursos ou vestibulares. Vamos falar um pouco sobre as diferenças entre eles para que nunca mais pinte aquela dúvida sobre quem foi o que.

O colonialismo e o neocolonialismo, apesar de serem termos diferenciados apenas por “três letras”, tem grandes diferenças históricas

Fonte: <http://mestresdahistoria.blogspot.com.br

Partimos do colonialismo…

 (…) Mesmo porque cronologicamente é o colonialismo quem surgiu primeiro!

Os séculos XV e XVI são o período áureo do colonialismo, uma prática de dominação política e econômica quase sempre através da força onde um país colonizador (metrópole) domina e coloniza – como se nunca tivesse existido alguém nesses lugares – um novo território (colônia).

Vários países da Europa entraram nessa onda, mas sem dúvidas, os Ibéricos Portugal e Espanha foram os maiores – e primeiros, o que lhes deu grande vantagem – papa-territórios da época. Essa foi uma vantagem que eles não mantiveram no período do neocolonialismo, mas falaremos sobre isso a seguir.

Para entendermos melhor o colonialismo, veremos dois termos que não aparecerão novamente no neocolonialismo, apesar de vermos claras similaridades entre algumas práticas nos dois momentos. Vamos falar sobre o mercantilismo e o pacto colonial (que está inserido na política mercantilista).

O mercantilismo foi a política econômica imposta pelos governos absolutistas da Europa durante os séculos XV, XVI, XVII e XVIII. Vamos lembrar que os países europeus só conseguiram investir – e ter sucesso – no empreendimento das grandes navegações quando conquistaram sua estabilidade interna, estabilidade essa que resultou nos governos absolutistas. Esse motivo, entre outros, foi um dos que garantiram aos países Ibéricos uma vantagem nessa corrida. Mas vamos focar…

O que nos interessa a respeito do mercantilismo são suas bases, as principais características. Nesse sistema, o Estado buscava incansavelmente acumular o máximo de riquezas e assim desenvolver-se economicamente (o oposto também serve). Os reis então seguiam à risca o manualzinho de bolso do “bom mercantilista”. Um bom Estado mercantilista deveria praticar o seguinte:

 

Fonte: <http://jc.ne10.uol.com.br

Metalismo – Quem não gostaria de ter alguns quilos de ouro enterrados no fundo do quintal? Bom, há algumas centenas de anos atrás não era diferente. Basicamente a riqueza de um país era medida pela quantidade de metais nobres que ele possuía (ouro e prata). E como o quintal dos países europeus não dava conta de suas ambições, foi em outros quintais que eles foram buscar seus saquinhos de ouro. Aí você já sabe a história… De todos os países que sofreram com essa busca, os americanos renderem fortunas estilo banco do tio Patinhas às suas respectivas metrópoles.

– Protecionismo – O manual é claro, estamos conseguindo acumular ouro e prata? Nosso próximo passo é fazer com que ele não vá mais embora!

Como fazemos isso?

Taxas e impostos! Muito comum durante um bom tempo foi a prática desses governos de taxar (de forma pouco justa) os produtos importados. A ideia é simples e para o Estado extremamente vantajosa (a população que se …). Com o valor dos produtos estrangeiros inflacionados pelos impostos, o Estado garantia que seu ouro e prata não saísse de seus cofres para de o outros reis. Claro que as coisas não eram simples assim e claro que os países ainda faziam importações, mas essa prática garantia que apenas o que não estivesse disponível no próprio país fosse importado e ainda protegia o produto nacional quando houvesse um igual.

– Balança comercial favorável – Acho que hoje todos sabemos a receita para a riqueza: ganhe mais dinheiro do que sua mulher consegue gastar!!! (hahaha ¬¬)

Tarefa hercúlea e piadinhas de tiozão a parte, uma outra ideia simples – e até obvia – era um dos pilares do mercantilismo, ter uma balança comercial favorável. E realmente eles empregavam esse conceito de forma simples.

Faça mais vendas do que compras. Exporte mais do que importe! Com mais dinheiro entrando do que saindo e com os gastos da rainha controlados, teremos uma nação (na verdade os cofres reais) rica!

– Pacto Colonial – De forma superjusta ficava estabelecido o seguinte: as colônias europeias poderiam comprar e vender apenas de/para suas respectivas metrópoles. As metrópoles por sua vez compravam das colônias (afinal elas não tinha mais opções de venda) e podiam vender para quem quisessem! Compra-se barato e enfia a faca na volta. Além de outros detalhes, como a proibição das metrópoles de instalação ou produção de qualquer produto que pudesse concorrer com o vendido pela metrópole, mesmo que isso representasse fortunas de economia.

Já lembraram e enjoaram das aulas de história? Calma… O período colonial já está no final. Só faltam dois termos base para revermos.

Vamos falar das duas principais modalidades de colonização da época, ambas presentes no continente americano. A primeira delas e conhecidíssima nossa, é a colônia de exploração.

Esse foi o método mais comum, empregado inclusive pelos portugueses. Seguia bem a cartilha mercantilista e não tem erro na hora de lembrar, basta gravar a palavra “exploração”.

Por que? Uai… Porque éramos (e somos falando em Brasil) literalmente explorados.

A colônia de exploração tem um objetivo claro. Atender à metrópole. Tudo é decidido verticalmente, seja quanto a leis, sociedade e economia. O exemplo clássico e comum é o Brasil. Plantávamos o que a metrópole precisasse e garantisse rápido retorno. As decisões eram tomadas lá. A mão de obra era escrava (pagar salário? Há! Tá mais engraçadão que o Temer!), as propriedades eram enormes para atender a demanda econômica de lá e não a necessidade de posse de terra daqui.

A outra forma era a conhecida Colônia de Povoamento, normalmente exemplificada pelos professores como as colônias do norte dos Estados Unidos. Nela a pegada era um pouco diferente. Para começar, falar em Pacto Colonial já era sinal de problemas.

Nesse tipo de colonização os europeus que se aventuravam ao Novo Mundo normalmente iam com a intenção de fixar-se e construir nova vida. Nela eram incomum grandes propriedades ou larga escala de trabalho escravo. Os produtos cultivados eram destinados ao consumo local e tinham grande variedade. Apesar dos problemas eram produzidos também produtos que fossem iguais aos da metrópole. Havia também maior flexibilidade política. Nem tudo era decidido por um rei do outro lado do oceano.

Na América temos Estados Unidos e Canadá como modelos desse tipo de colonização e o restante basicamente tendo as colônias de exploração como base.

Fonte: <https://pt.slideshare.net

 

E o “neo”?

Fonte: <https://www.tes.com/lessons/rGSrJwiNEJmW6Q/decolonizzazione>

Além das letras, começamos a diferenciá-los pelo período e motivos que levaram a essa nova onda colonizadora. O neocolonialismo foi predominante entre o final do século XIX e por volta de metade do XX.

Se o colonialismo tinha a América e as “Índias” como meninas dos olhos, no “neo” é a vez da África e Ásia. Apesar de notarmos diferenças, veremos que são bem sutis.

O fenômeno do neocolonialismo teve início após o boom de industrialização do continente europeu depois da metade do século XIX. Procurando novos mercados consumidores (agora que a Inglaterra não era a única grande nação industrializada) e matérias-primas a baixo custo, os europeus voltaram seus olhos para mercados não explorados e com tudo que eles precisavam.

(Aqui alguém pode perguntar: “Mas os países americanos, principalmente os latinos que ainda não tinham eficiência industrial, por que não vieram para cá?”. Eu respondo: Estados Unidos!!! Esse novo colonialismo não foi privilégio apenas das nações europeias, e o representante americano, além de beliscar sua fatia de mercado, nos “blindou” do assédio europeu).

Um segundo ponto era a respeito da população europeia. Houve notável crescimento populacional (até a Primeira Guerra) e os países europeus já não suportavam esse excedente. Solução? Mandem eles embora!

As novas colônias além de serem mercado consumidor, era também o novo lar de muitos representantes de países industrializados. Como eles realmente tinham a intenção de se mudar para esses lugares, algumas modificações eram necessárias.

Conferência de Berlim

Fonte: http://www.pordentrodaafrica.com

Muita gente queria vender e não havia tanta gente para comprar. Claro que não ia dar certo (a Primeira Guerra foi uma das consequências, mas não é tema pata hoje).

As nações europeias com todo o seu senso de humor que eu não entendo acharam uma solução. Para que cada um ficasse no seu quadrado, em 1884/1885 eles se reuniram em Berlim e entre eles, simplesmente dividiram suas posses no continente africano. Simples assim: “aquele é meu… esse é seu…” e tanto faz o que pensa quem vive lá.

Isso garantiu um monopólio muito similar ao que vimos no período colonial.

Não sei se podemos dizer que houve um lado bom, mas nesse período as nações europeias investiram um bocado em infraestruturada nesses países. E é claro que não foi porque eles são bonzinhos. Vamos pensar nos dias de hoje: como você vai vender um carro para um local em que não há asfalto? Ou um smartphone para onde não existe telefonia móvel e internet? Fazer com que esses países comprassem seus produtos demandava investimentos.

Que também era uma forma de ganhar dinheiro. “Eu te empresto, você constrói e depois me paga com juros. Aí eu ganho mais ainda vendendo o que você precisa”.

A imposição econômica ficou clara até agora, além disso os países “colonizados” sofreram com imposições sociais, culturais e políticas. Diferentemente do primeiro período colonial, apesar de não falarmos mais em Pacto Colonial, agora víamos governos locais com as cordinhas puxadas por mãos europeias. Isso passava para os povos locais uma falsa sensação de não dominação.

Com isso até a América Latina sofreu. Tínhamos governos locais, com grandes indústrias de capital externo e empréstimos algemadores. A dependência econômica se transformava em vários outros problemas.

Do que se perdeu culturalmente, nem precisamos comentar, além da arrogância de quem vinha de fora. Todos já devem ter visto aquela famosa charge do Tintim:

Fonte: <http://www.tintimportintim.com/>

Muito texto para essas diferenças.

Na preguiça de ler tudo, temos esse resumo:

As consequências

Se só falássemos “exploração”, e entendêssemos todos os conceitos que vem junto com a palavra, poderíamos dizer que exploração define bem as consequências para ambos os períodos. E poucas serão as diferenças entre os dois.

Podemos listar várias e dizer que se não foram as mesmas, tem algum semelhante.

Não dá pra cravar que a origem da desigualdade social foi o projeto colonizador. Se formos analisar cada uma das culturas que sofreram com isso veremos que havia diferenças sociais dentro de todos os povos. Claro que não era nada tão gritante ou excludente como acabou se tornando após os dois períodos coloniais. De exemplos temos no colonialismo a inserção de uma classe totalmente nova no continente americano, o escravo negro. E se no neocolonialismo a Inglaterra inicia uma guerra ao tráfico de escravos (pelos motivos errados) a sua luta é apenas contra o deslocamento. Internamente a exploração era tão cruel quanto.

A exploração material ocorreu nos dois períodos. Mas como vimos no quadro acima, em cada fase com algo diferente.

Na América não vimos o problema fronteiriço que vimos na África. Se aqui as colônias tinham seus territórios melhor definidos (muito também por termos menos nações europeias tomando posse) o território africano foi retalhado e redefinido sem nenhum respeito às culturas ou povos que lá habitavam. Quando ainda vemos hoje notícias de conflitos políticos e territoriais, poder ter certeza que se não encontrar o motivo na religião, encontrará na divisão neocolonial.

Se aqui os jesuítas se empenharam e levar os nossos habitantes a conhecer e adotar o cristianismo, lá o projeto civilizador também ignorou conhecimentos culturais pré-existentes. Nada que não seja padrão Europa, não serve.

Hoje, embora ainda existam influencias imperialistas/neocoloniais (com maior influência estadunidense), podemos dizer que elas são distintas. Econômica e politicamente não forçadas, culturalmente são abraçadas. De uma forma ou outra, (força militar, grande indústria, política, artigos de consumo…) o colonialismo e suas evoluções moldaram de forma definitiva o mundo em que vivemos, seja territorialmente, culturalmente ou socialmente.

 

 No final, apesar dos períodos distintos, as diferenças não são tão grandes assim. Já conseguem se lembrar de todas elas?

Se ainda ficaram dúvidas compartilhem-nas conosco, e boa sorte nos estudos!!!

Referências:
ESTADÃO. Colonialismo. Acervo Estadão. Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/noticias/topicos,colonialismo,872,0.htm> Acesso em 12 de julho de 2017.
FERNANDES, CLÁUDIO. Imperialismo. História do Mundo. Disponível em: <http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/imperialismo.htm> Acesso em 12 de julho de 2017.
GUIA DO ESTUDANTE. 10 fatos que você precisa saber sobre o neocolonialismo na África. Guia do Estudante. Disponível em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/10-fatos-que-voce-precisa-saber-sobre-o-neocolonialismo-na-africa/> Acesso em 12 de julho de 2017.
IMAGEM DESTACADA. <http://vitoriarosa7b.blogspot.com.br/2009/11/o-egito-e-o-neocolonialismo.html> Acesso em 14 de julho de 2017.
PORTAL SÃO FRANCISCO. Mercantilismo. Portal São Francisco. Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-geral/mercantilismo> Acesso em 12 de julho de 2017.

 

Tutor Matheus De Marchi

14 de julho de 2017

 

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