Tem “Brasil República” no edital? Pode ter certeza que a Era Vargas vai ser tema de questão!

Por Maxi Educa 13 set 2018 - 14 min de leitura
14 min

Não importa como é pedido: “História recente do Brasil”, “Brasil República”, ou a própria “Era Vargas” (…). O Getulião é quase sempre presença garantida nas questões referentes a política/economia/sociedade brasileira de 1930 até 1954 – com uma pausa nesse meio tempo -. Isso porque não tem jeito, o baixinho marcou demais a história nacional por uma atuação tanto positiva quanto negativa.

Dá uma segurada aqui na página, leia sobre ele e sinceramente responda ao final, você diria não à esse homem? (na escolha de questões ¬¬”).

Os ventos do sul trazem mudanças

Se a oligarquia paulista lesse mais obras pop, eles saberiam que nada dura para sempre (talvez a fome da nossa censora de blog dure, faremos testes). O inverno estava chegando para eles. E quer saber o pior? O inverno foi convidado por eles.

O período anterior à Revolução/Golpe de 1930 era cômodo para quem estava no poder. Quem estava de verdade no poder. Esse período é comumente chamado de República Oligárquica. E o motivo de o período receber esse nome é só um pouco obvio: eram as oligarquias que dominavam a política do Brasil.

Mas não eram quaisquer oligarquias… Duas em particular democraticamente se revezavam no poder, a oligarquia paulista e a oligarquia mineira.

*o termo oligarquia deriva de oligarkhía. É entendido como governo de poucos. Esses poucos podem pertencer à uma mesma família, casta social, partido ou grupo econômico. No nosso caso estamos falando de um grupo que tinham algo em comum: terras em abundância. Os paulistas representados principalmente pelos cafeicultores e os mineiros representados por cafeicultores e criadores de gado.

Poxa vida… E só dois estados conseguiam se manter no poder? Não tinha oposição?

– Então…

Não podemos praticar o anacronismo aqui para entender isso. Anacronismo é o erro de atribuir algum pensamento/ideia/sentimento/prática que não é próprio da época. Acontece que nesse período não tínhamos por exemplo a ideia de algum partido político de abrangência nacional. Existiam sim partidos, mas a política era feita regionalmente.

O voto aberto, o chamado voto de cabresto, os chamados currais eleitorais e o terceiro escrutínio, junto da falta de uma ideia partidária nacional, e por consequência possível oposição, garantiam que apenas dois estados fossem suficientes para garantir uma vitória. E durante muito tempo foram!

A ausência dessa unidade fazia com que o presidente em exercício organizasse o caminho para seu sucessor e é aí que a política do café-com-leito funcionava. O presidente de Estado (na época ainda não se chamavam governadores) era indicado pelo presidente do país e na próxima eleição eles “devolviam” a indicação e assim caminhava… Flores, café e leite!

Até que pra variar alguém fez excreção. O ano de 1929, famoso pelo conhecido Crack da Bolsa de Nova York, não foi legal para o Brasil (por consequência dessa crise de fora). Com grandes estoques de café e nenhuma saída, deu aquele desespero que só os ricos sentem quando vão ganhar alguns milhões a menos né. Um problema que nós professores não temos! Há! Chupem ricos!

Devido a pressão dos cafeicultores paulistas por uma continuidade no governo que beneficiasse suas finanças, entre outros motivos, Washington Luís, presidente no período de 1926-1930 e representante paulista não devolve a bola para Minas e lança outro paulista como candidato à presidência: Júlio Prestes.

Era o fim do relacionamento! Minas se encrespa todo e procura novos amigos. Junto da Paraíba e do rio Grande do Sul é formada a Aliança Liberal (AL) que tinha como chapa o Getulião, representante do Rio Grande do Sul e João Pessoa, representante da Paraíba.

Desde então os caras já mostravam ao que vieram, entre suas propostas eles falavam em voto secreto, reformas sociais, proteção ao café (claro) e anistia aos tenentes.

Maaassss não rolou. Em uma eleição acima de suspeitas os paulistas ainda vencem e Júlio passou a contar os dias para assumir… Hahaha. Tolinho!

Teve aquele barulho, choro no Face, muita reclamação no Twitter, e… Nada aconteceu. Apesar da insatisfação e das denúncias de eleições fraudadas não houve alteração no cenário. Até que….

Por motivos além da política, João Pessoa é assassinado… E apesar disso, a galera da Aliança Liberal não perdoa. Usam isso como propaganda a favor deles e com o apoio dos tenentistas, agora menos receosos, a galera do Getúlio chuta Washington Luís do poder e nem dão a chance de Júlio assumir. Essa troca de comando e toda a movimentação que houve em torno dela é conhecida como Revolução de 1930.

A Revolução/Golpe de 1930

 Não importa como é pedido: “História recente do Brasil”, “Brasil República”, ou a própria “Era Vargas” (...).

http://andrevarga.blogspot.com/2013/08/a-cultura-da-indecisao-ram-charan.html

Oxi! Revolução ou Golpe? Tem quem usa um termo, tem quem usa outro… 

A ideia bem resumida é essa: defende que foi uma revolução quem crê que houve uma grande mudança com a saída da oligarquia paulista e entrada do Getúlio. Realmente houveram mudanças políticas, sociais… Mas em questão de liderança, a mudança foi apenas geográfica. O país deixou de ser governado pela oligarquia paulista e agora era governado por um representante da oligarquia gaúcha.

Defende que foi um golpe quem reconhece que, apesar da fraude das eleições de 1929, Getúlio chegou ao poder com apoio das Forças Armadas. Foi à força e foi inconstitucional independente das circunstâncias.

O Governo Provisório de Getúlio Vargas (1930 – 1934)

http://realcaimani.blogspot.com/2013/07/ricette-geniali-arriba-arriba.html

Tá beleza. A galera é corrupta, fraudou eleição, não serve ao povo e a gente vai colocar ordem na casa. Getúlio assume o poder vendendo esse peixe. Daí o nome desse primeiro período. Governo Provisório porque o nosso líder ficaria provisoriamente no poder, pelo menos até as próximas eleições.

E nesse período ele já mostra a que veio.

De início o homem já causa polêmica!

Não… Não vazaram nudes dele. Esse tipo de polêmicas é reservado à celebridades e professores (outros).

Polêmica política… No lugar dos presidentes de Estado ele nomeia interventores estaduais. Pessoas de sua confiança, com aquele pezinho maroto no tenentismo que garantiriam que os estados seguiriam todas as “recomendações” do Rio de Janeiro.

O fato de Getúlio meter o bedelho nos governos regionais e procrastinar a convocação das novas eleições igual a gente procrastina o início da dieta, fez com que muita gente perdesse a paciência. Leia-se paulistas.

Apesar de algumas concessões como a nomeação de um interventor paulista, o preparo do projeto para uma nova Constituição e até data para as próximas eleições, os paulistas não se seguraram e tiveram uma brilhante ideia: vamos atacar o Rio de Janeiro! (Governo central).

Empolgados pelo apoio popular e a promessa de apoio de outros Estados que nunca se cumpriu, os paulistas acreditaram que através da força poderiam destituir Getúlio e colocar em ação imediatamente as medidas que adiava. Vamos repetir… Tolinhos!

Conhecida como Revolução Constitucionalista de 1932, esse movimento mal durou três meses. Terminou com a derrota dos paulistas e por mais que eles digam que obtiveram uma vitória de ideias (afinal novas eleições foram realizadas em 1934), não foi nada mais que isso… Uma derrota.

*Assim como caso Golpe/Revolução de 1930, aqui podemos ter duas interpretações.

Uma corrente defende que o movimento de 1932 tratou de um despertar da cidadania. A aclamação do povo contra a representação do que era errado no governo. Tipo a ladainha do “Gigante acordou” … lembram?

A outra decorre defende que, se admitirmos que o que houve em 1930 foi uma Revolução, 1932 podia ser considerado uma contrarrevolução, uma vez que nada mais foi do que a tentativa da oligarquia paulista de retomar o poder. E não queremos isso né Alckmininho? =D

Mas nem tudo foi violência nesse período!!! Nem podia ser…

Foi nesse período que o Getulião consolidou as leis trabalhistas. Ele formalizou algumas práticas que já tinham sido conquistadas em alguns setores como salário mínimo, regulamentação do trabalho feminino e infantil, descanso remunerado, jornada de oito horas…

Além disso, ainda em relação ao trabalhador, o Homão também aprovou uma legislação sindical, que tinha um lado bom e um ruim. Pelo lado bom, o trabalhador pela primeira vez tinha amparo individual nas leis contra o monstro opressor capitalista. Eita!

Pelo ruim, a organização dos sindicatos era tutoreada pelo Estado, que era extremamente rígido. Através da Carta Sindical (regulava seu funcionamento) o Estado intervia conforme achasse necessário.

Em 1934 é promulgada uma nova Constituição e de forma indireta elegemos o presidente. E olha que reviravolta, Getúlio vence!!!

O Governo Constitucional de Getúlio Vargas (1934 – 1937)

 

Esse foi o período mais curto da Era Vargas. E olha que foi o menos errado.

Aqui a gente não vai encontrar grandes transformações como vimos no Provisório ou veremos no Estado Novo, mas tem algumas ideias tem que estar claras para vocês. Elas giram em torno de uma nacionalismo intenso mas que se diferenciava principalmente por duas vertentes:

A primeira era apresentada pela Ação Integralista Brasileira (AIB) cuja liderança pertencia a Plínio Salgado. A pegada da AIB era de um nacionalismo mais conservador e a Igreja, classes média e setores do exército se identificavam bastante com suas ideias. Seu lema era “Deus, Pátria e Família” e eles tinham alguns tocs com uniformes, saudação, horror a comunistas e aquela vibe de violência para quem não compactuava com suas ideias.

A segunda tinha uma tendência nacionalista mais radical. Tinha a simpatia dos sindicatos, profissionais liberais e do partidão! (Partido Comunista). As ideias que essa galera propunha era mais radical no sentido de mudanças, eles falavam por exemplo em reforma agrária… Reforma agrária em uma época em que oligarquias proprietárias de terras mandavam no país… (Não que hoje tenha muita diferença).

Esse movimento deu origem a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e seu líder era Luís Carlos Prestes.

Para fecharmos o período precisamos falar o Plano Cohen. Quando o barulho em torno das candidaturas para as eleições de 1938 começaram a aumentar, Getúlio e sua turma viram que ia dar ruim. São Paulo, com o apoio de outros estados conseguiu emplacar a candidatura de Armando Sales. Se tudo ocorresse normalmente, os paulistas voltariam ao poder, o que, óbvio não era a vontade do pessoal no Rio de Janeiro.

A solução? Colocar em prática o plano que citamos acima. O Plano Cohen consistiu em um engodo armado pela galera getulista em que foi divulgada a ideia de que os comunistas teriam planos muito bem elaborados para tomar o poder. Descoberto esses planos, Getúlio, preocupado com a sanidade nacional, decreta estado de sítio e toma para si o dever de manter o país seguro. Seria o início do governo ditatorial de Getúlio Vargas. E não adianta o mimimi.

Foi Golpe sim!!!

O Governo Autoritário de Getúlio Vargas (1937 – 1945)

 

O maior período da Era Vargas é chamado de Estado Novo. E começaremos explicando o porquê desse nome.

Apesar de ser um governo autoritário, ele não se igualava aos regimes totalitários que víamos na Europa no período (Fascismo e Nazismo). Ele conseguiu se tornar algo no meio do que tínhamos como opção. Não era liberal, isso nem é discutível, e tinha características totalitárias como concentração de poder em um pessoa, uma polícia política e a extinção de liberdades individuais.

Porém não contava por exemplo com um partido oficial (único), não tinha apoio irrestrito das massas populares e nem um posicionamento ideológico definido. Enfim… Para o que tínhamos no período era algo novo. E daí o nome: Estado Novo.

Antes de falarmos das características do período (meio comuns à toda ditadura). Vamos ver porque rolou o que rolou. Não foi apenas o rostinho bonito e a persuasão de Getúlio que garantiam a imposição e a continuidade do Estado Novo.

As classes médias e as oligarquias morriam de medo dos vermelhos e acreditavam que apenas um governo forte poderia salvar a democracia. Cafeicultores e industriais queriam crescer economicamente e dependiam de um governo centralizado para isso. Não precisamos citar a relação igreja x comunistas e o exército, obvio… Vamos centralizar poderes!

Sobre o que rolou na Era Vargas:

Os interventores voltaram e agora o Estado tinha ainda mais poder sobre as decisões nacionais e regionais. Economicamente foi o período em que foram criados institutos para solução de problemas específicos, como o Instituto do Mate, Instituto do Açúcar, do Álcool…

Os cafeicultores foram beneficiados com a proteção estatal, houve crescimento na exploração de minérios e até a indústria viu impulso (o que não é pouco, afinal vivíamos um período de Guerra).

Onde a burguesia não queria colocar dinheiro, normalmente investimentos com retorno a longo prazo, o Estado bancava. É desse período por exemplo a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Fato é que o Getúlião sabia puxar o saco de quem precisava. Quem tinha dinheiro ganhou mais dinheiro, as classes médias também viram seu poder aquisitivo aumentar e tudo isso fez com que as características ditatoriais fossem “perdoadas” ou ignoradas por esses setores. Getúlio era popular!!!

Politicamente Getúlio apoiou sua ditadura em uma Constituição. É isso aí, a nova Constituição, apelidada de “A Polaca” afirmava totalmente o poder ilimitado do nosso líder. As características, como falado não fugiam muito de outros regimes ditatoriais: o judiciário respondia ao executivo, concentração de poder nas mãos do líder do executivo, Estados governados por interventores, Congresso Nacional, Assembleias Estaduais, Câmaras Municipais fechadas e sim! Aquela perseguição martelada.

Foram criadas a Polícia Especial (PE) e o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) responsáveis por aqueles “convites” em que as pessoas desapareciam ou voltavam super machucadas e pela censura respectivamente. Os partidos políticos foram fechados (até a AIB).

Para que as camadas populares também apoiassem o regime, Getúlio voltou a bater na tecla das leis trabalhistas. Reafirmou algumas mudanças que já havia feito em seu governo provisório (jornada de oito horas, descanso remunerado…) e com a consolidação da CLT (Consolidação das Lei do Trabalho) instituiu outras obrigações aos empregadores como a obrigatoriedade de registro de contrato do trabalhador em carteira.

Essas medidas quase esqueciam os trabalhadores rurais. Mas garantia o apoio do trabalhador urbano (que é quem fazia protesto).

O fim do Estado Novo

De fora pra dentro começaram os problemas de Getúlio. Especificamente estamos falando a Segunda Guerra Mundial. Enquanto pôde, o Brasil manteve-se neutro no conflito. Getúlio queria esperar e aliar-se a algum lado quando tivesse certeza do vencedor. Isso acabou gerando problemas internos para ele. Tinha representantes favoráveis à aliança com os Aliados e representantes favoráveis à aliança com o Eixo. O destino e alguns torpedos alemães nos levaram a comprar o lado dos Aliados.

Através do envio de soldados pela chamada Força Expedicionária Brasileira (FEB), o Brasil entrava na Segunda Guerra Mundial.

O problema se deu quando nossos representantes voltaram da Europa e a sociedade viu uma incoerência nessa decisão. Afinal, enviamos pessoas para lutar contra regimes autoritários lá, e vivíamos em um aqui? Oxi! Como assim?

Devido a pressão contra isso e aos protestos que cresciam, Getúlio cede e através de um Ato Adicional convoca eleições para o final de 1945.

No período Vargas essa é a última passagem que cabe destaque.

Apesar de tudo muitas pessoas queriam que fosse Getúlio que garantisse a transição na volta do regime democrático, movimento que ficou conhecido como Queremismo. Mas Getúlio vai e volta com os pés no peito dos adversários seis anos depois. Mas que é assunto para outra hora….

Extensa a Era Vargas não é?

Não tinha como… São 15 anos de história de Vargas, um cara que deu muito o que falar!

Espero que não tenham se cansado demais e tenham curtido!

Se não curtiram podem falar também. Toda sugestão é bem-vinda. (mentira!).

Tem um vídeo bem legal de um belíssimo, jovem, não alcoólatra apesar do que dizem e solteiro professor de História que explica isso tudo que trouxe aqui.

 

Nos vemos!!!!

Tutor: Matheus De Marchi

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