Valeu a pena ou não? A Greve dos Caminhoneiros está atrasando suas entregas e seus estudos? Entre as exigências, conquistas e especulações, vamos passar a limpo o tema da vez

 

30 de maio de 2018

 

A Greve dos Caminhoneiros vem sendo noticiada há pouco mais de uma semana com crescente atenção da mídia e da população. Em meio às notícias na TV, jornais e internet, muitas informações acabam se misturando e confundido as pessoas, principalmente por conta das redes sociais.

A Greve dos Caminhoneiros vem sendo noticiada há pouco mais de uma semana com crescente atenção da mídia e da população. Em meio às notícias na TV, jornais e internet, muitas informações acabam se misturando e confundido as pessoas, principalmente por conta das redes sociais.

fonte: < https://www.blogderocha.com.br/paralisacao-dos-caminhoneiros-charge/>

O movimento chamou atenção acima de tudo, por mostrar a fragilidade da estrutura no sistema brasileiro de transporte/abastecimento e levantar algumas questões a respeito da legitimidade dos valores praticados na venda de combustíveis no país.

Em meio a tudo isso vamos averiguar (tentar) aqui o que realmente aconteceu. O que é pedido, o que faltou, o que chegou, quem apoia o que, e principalmente, se vai faltar cerveja no feriado!? Preocupação válida.

Siga conosco e vamos garantir uma boa leitura no conforto do sofá, cadeira do escritório ou enquanto espera na fila do posto.

A culpa da greve é do Parente!  (?)

Em relação a muitos assuntos, de piadas a discursos políticos, a internet pode ser usada como o megafone dos idiotas. Todo mundo tem um opinião sobre tudo e muitas vezes (quase sempre) essa opinião vem sem embasamento. Não tem como falarmos sobre essa paralização sem falarmos sobre o preço dos combustíveis praticado no Brasil. E se vamos falar sobre isso, tenho certeza de que todo mundo já viu/leu alguma opinião culpando ou isentando o governo/Petrobras sobre isso.

Tendência da esquerda, da direita, os temíveis socialistas ou os implacáveis capitalistas. Dependendo da sua simpatia você tende a culpar alguém. Eu poderia escrever páginas culpando os reptilianos illuminati por tudo o que está acontecendo, mas minha censora e seu ceticismo insistiram que nos prendêssemos às informações “reais”.

Para que eu não empunhe meu próprio megafone e fale minhas besteiras, vamos apenas repassar as mudanças que foram implantadas na nova política administradora da Petrobras, quem defende o que, e por quê. Vamos lá:

Em outubro de 2016 entrou em vigor a atual política de preços da multinacional. A partir desse momento o valor do combustível comercializado no país seria regulado de acordo com o mercado internacional.

– De que forma?

– Principalmente levando em consideração dois fatores: As taxas de câmbio e a variação internacional dos preços do petróleo.

– E existem outros fatores?

– Claro!

Cobertura de riscos à operação, taxação em portos, todos os tributos estaduais, federais, prefeiturais, deputaduais, senadoriais, empresariais, presidenciais (…) e até garantia de margens de lucro… Enfim… Uma pancada de coisas que compõe o valor final, mas sempre tendo aqueles dois como principal bronca.

– Por que essa bronca?

– Porque os dois principais fatores fogem de um controle que anteriormente era nosso. Não é o Temer, o Parente, a Petrobras, os caminhoneiros ou os donos de postos que controlam as variações cambiais (dólar) e o preço internacional do petróleo. Eles podem mudar a forma que lidam com essa composição, mas como não o fazem, não tem esse controle.

E aqui é que cresce a discussão citada acima. Por que então nós mudamos essa bendita política de preços?

O lado A afirma que essa mudança foi necessária. Após anos de consecutivos prejuízos e recuo competitivo no mercado nacional e internacional, a Petrobras precisava se adequar a política econômica praticada lá fora por outros grupos/companhias. É uma mudança que se considerarmos o lado financeiro (não o nosso lado financeiro) deu resultados. A empresa recuperou boa parte de seu valor de mercado, se reposicionou internacionalmente e os investidores da amarelinha não têm reclamado sobre isso (até os últimos acontecimentos).

O lado B vai bater exatamente nessa tecla. Afinal, considerando que o “Brasil” é o maior acionista da companhia, será que a Petrobras deveria estar preocupada em agradar seus investidores ou o brasileiro? E, se a ideia era recuperar o mercado (pelo menos nacional) porque tem ocorrido o oposto?

O lado A diz que o país não aguenta financeiramente agradar ao brasileiro. E era exatamente assim que as coisas funcionavam antes de outubro de 2016. O governo mandava um good de um unlike pro resto do mundo e segurava a diferença dos preços do combustível aqui dentro.

O lado B, em polvoroso, afirma que é assim que uma Estatal tem de agir, para o povo!

O lado A diz que essa prática levou a Petrobras à falência.

O lado B afirma que economicamente estamos tão evoluídos quanto o mercantilismo colonial. Não desenvolvemos (na verdade nem usamos) a capacidade de nossas refinarias, enviamos o petróleo bruto para fora e compramos o produto “manufaturado” de volta mais caro. Logo, o lucro fica lá fora.

O lado A afirma que nossas refinarias não suportam essa demanda de trabalho (…)

E a gente pode passar várias páginas falando desses lados. Mas vocês pegaram a ideia né? Pra cada argumento A existe um B e por aí vamos…

Quem está certo nessa história? Não me arrisco a direcionar ninguém. Olhem as referências ao final se tiverem curiosidade. Tanto há lados que afirmam que a Petrobras nunca esteve com os problemas econômicos que foram ventilados pelo governo, como há quem diga que a nova política foi a única coisa que a manteve viva. Fato é que verdade ou mentira, o pessoal está bravo e o resultado estamos vendo por aí.

O alto preço dos combustíveis de certo irritaram todo mundo, mas foi só isso que motivou um movimento tão grande?

Então a culpa é do preço combustível?

Pelo menos no discurso começou por isso. Os manifestantes alegam que desde outubro de 2017 grupos representantes dos caminhoneiros vem tentando negociar com o governo.

– O que eles queriam?

Pelo menos inicialmente pediam que o governo reduzisse a carga tributária sobre o diesel (PIS/COFINS). O Vampirão, claro, quando viu que as coisas desandavam afirmou que o governo estava sensibilizado com o pedido e até já discutia como reduzir esses impostos.

Como de outubro a maio não ocorreu mudança nenhuma além de sensibilização e intenção de debater sobre o tema, os caminhoneiros iniciaram uma mobilização um pouco mais presente.

O movimento tem se organizado e comunicado desde maio, porém só vimos realmente seu impacto (por motivos óbvios) a partir da sexta feita (18/05).

E finjam surpresa, após o anúncio no dia 18, houve novo aumento dia 19. Desaforo ou desafio?

Com atitude extremamente conciliadora, no dia 20 a Justiça Federal proibiu o bloqueio de estradas em alguns estados. Bom… Os caminhoneiros caminharam e obraram.

Na segunda feira (21) em pelos menos 21 estados do país foram registrados bloqueios nas estradas.

A partir daí não precisamos muito focar na cronologia dos fatos. Os bloqueios continuaram e cresceram, e apesar dos inconvenientes, contaram com apoio popular.

Sem o mesmo apoio popular, e sem força política para bancar as promessas de “não negociar”, o governo dá o braço a torcer.

Entre as medidas que foram se tornando maiores com o passar dos dias e o não recuar dos manifestantes, chegamos ao acordo que levou os representantes dos caminhoneiros (pelo menos aqueles que iam até o Planalto) a aceitar o final da paralização:

O que eles conseguiram?

fonte: < http://elenfernandes.com.br/como-dizer-me-sai-muito-bem-em-ingles/>

– Redução de R$ 0,46 no preço do diesel por 60 dias.

– Novos ajustes apenas a cada 30 dias.

– Isenção de pagamento em estradas pedagiadas quando os caminhões estiverem com eixos suspensos (antigas exigências).

Talvez porque a chance se mostrou, talvez porque haja muito mais coisas por trás do movimento, talvez porque os reptilianos realmente estejam aí, os caminhoneiros não.

Em relação aos seus pedidos, o governo cedeu ainda mais e na última segunda feira (28) o governo acelerou a votação do projeto que elimina a cobrança do PIS/COFINS até o final do ano.

E… Nada! ¬¬”

O movimento acabou ganhando outras vertentes e apenas as exigências relativas a transporte e abastecimento ficaram um pouco de escanteio.

Parte dos caminhoneiros pareceram aceitar o acordo e parte deles, sob acusações de influência “externa”, não. Agora entre as exigências também entraram:

– “Fim” da corrupção (avanço da Lava-Jato).

– O tradicional, porém incansável “Fora Temer”.

– E uma vertente defendendo intervenção militar (nisso ainda não há um consenso).

Até hoje só podemos ter certeza de vitória até o terceiro item (ali em cima).

 Cadê a união galera?

fonte: < http://www.diarioonline.com.br/tedoide/viral/noticia-434738-10-imagens-que-provam-que-vergonha-alheia-existe.html>

 Dois tipos de desencontro ficaram claros nesse período:

O primeiro entre os próprios caminhoneiros. Não apenas a linha de comando vertical parecia não mostrar nenhum comando (vimos em vários entrevistas que sindicato ou liderança X negociava e aceitava acordos que os soldados não concordavam), como os diversos grupos pareciam não ter unidade.

Apesar de ser muito bom ver o governo dobrar as pernas mais de uma vez após dizer que não negociaria, após dizer que a greve não tinha força, e após dizer que ela havia acabado, parte dos manifestantes também disseram isso.

Segundo o sindicato, as exigências foram atendidas, logo, haveria dispersão. Alguns bloqueios foram desfeitos e outros continuaram. Diante a força apresentada pelo movimento, as pautas anticorrupção, foratemer e militar ficaram em evidência e até outros setores resolveram se mobilizar. Com alguns ideais mais dignos que outros, hoje a greve não tem a mesma força mas persiste.

E tudo isso é muito levado em consideração pelo segundo desencontro:

A sociedade apoia o movimento, 87% dela defende a paralização. Porém apenas no discurso e nas redes sociais. É aí que a desunião perde a chance de colocar pressão (mais ainda) no governo.

Vários vídeos divulgados através das redes sociais mostraram os caminhoneiros pedindo a compreensão e apoio ativo da sociedade. (Não só o apoio das redes sociais, no conforto do sofá). E até criticando o comportamento das pessoas. Apesar de ideologicamente existir o apoio, no campo das ações ele não existe.

O que também não é novidade. Vemos isso com frequência em greves de professores, policiais (…).

 Onde vemos o resultado?

fonte: < http://comunidadevidaeterna.blogspot.com/2016/01/procurando-no-lugar-certo-c-h-spurgeon.html>

 Vou levar em conta que você leitor não é caminhoneiro. Antes que me acusem de exclusão, já digo que é porque foi listado ali em cima as exigências atendidas em relação ao setor de transportes.

Nós que apoiamos ou criticamos, vemos os resultados de outras formas.

Vamos começar pelas mudanças que virão:

Segundo as contas dos inquestionáveis especialistas do governo, até o final do ano as mudanças para garantir o preço do diesel custará quase 10 bi aos cofres do governo. Como a gente sabe que nunca, NUNCA, mas NUNCA MESMO a compensação sai do bolso de quem tem, o governo se vê preso pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). A ideia básica da LRF diz que perdas de arrecadação só podem ser compensadas com outras receitas.

Ou seja, alguém vai pagar alguma coisa a mais.

Sem ser muito específico (que surpresa!). Essa reoneração por hora girará em torno da folha de pagamento de setores empresariais, medidas tributárias, e da reserva de contingência do governo federal. Falam muito e dizem pouco, né?

Do que já sentimos podemos listar escassez de combustível nos postos, filas de abastecimento, inflação de preços de determinados produtos em mercados/comércios, voos cancelados, transporte público comprometido, aulas paralisadas (…).

Para você concurseiro, também tivemos consequência diretas. Vários adiamentos aconteceram em diferentes estados e a nível nacional. Podemos citar o Exame da Ordem dos Advogados, TRT 15, Polícia Civil de São Paulo, Polícia Civil do Rio Grande do Sul, CREF 8ª Região e segue uma lista.

Financeiramente também temos nossos números: Com exageros ou não, a Confederação dos lojistas afirmou prejuízos de R$ 27 bi no setor de comércio e serviços.  A Confederação Nacional da Agricultura fala em R$ 6,6 bi. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil apresente estimativa de prejuízo em R$ 1,9 bi. Câmara Brasileira da Indústria da Construção R$ 2,4 bi. Indústria de medicamentos R$ 1,6 bi (…). Felizmente os bares da cidade não tem mostrado queixas a respeito do assunto.

Surge ainda o maior prejuízo que é uma grande ironia. Os preços altos que a política de preços da Petrobrás gerou foi o motivo inicial para a paralização. A política é justificada por manter a Petrobras competitiva no mercado internacional, e a paralização, apenas nesses dias já gerou um prejuízo de cerca de R$ 126 bi em valor de mercado.

Hahahahaha. Esses especialistas…! ¬¬”

O lado bom? Claro que teve. A Cetesb anunciou queda significativa da poluição em São Paulo nesses dias. Consequência direta da redução de veículos circulando

Aos caminhoneiros, o meio ambiente agradece!!!

E já acabou?

 Aí fica a grande questão. Se procurarmos no oráculo encontraremos inúmeras notícias afirmando gradual liberação do transporte e normalização de abastecimento. Alguns por colaboração dos manifestantes, alguns com auxílio da força e da lei.

O sindicato dos caminhoneiros (apesar de parecer não exercer grande força frente aos manifestantes) oficialmente diz que aceitou as negociações. Nesse sentido acho que cada região sente de forma diferente essa mudança. Posso afirmar que na minha região as coisas caminham no ritmo do Temer correndo para melhor. É. Está lento assim….

Se considerarmos as exigências iniciais e relativas ao transporte, podemos dizer que não há mais o que discutir. Se levarmos em conta a dimensão que a manifestação ganhou com exigência de cunho político e econômico de forma geral, podemos dizer que a luta ainda vai longe (pelo menos até outubro), embora os soldados estejam diminuindo.

Nós nem trabalhamos todas influencias política/partidárias, teorias de pró golpe e conspiração (real) dos illuminati. Seria muito mais assunto e divertimento.   =)

Mas e vocês? Estão sentindo os impactos da greve de que forma? Apoiam ou são contra?

Deixem sua opinião e não se esqueçam da super-aula de Atualidades que vai trabalhar o assunto. Basta acessar o canal da Maxi no Youtube.

Ótima leitura e bons estudos!!!

Tutor Matheus De Marchi

Referência:

https://g1.globo.com/economia/noticia/greve-de-caminhoneiros-chega-ao-8-dia-mesmo-apos-anuncio-de-temer.ghtml
https://g1.globo.com/economia/noticia/cronologia-greve-dos-caminhoneiros.ghtml
http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-10/em-vigor-desde-julho-pol%C3%ADtica-de-pre%C3%A7o-da-petrobras-divide-opinioes
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,engenheiros-da-petrobras-pedem-mudancas-na-politica-de-precos-dos-combustiveis,70002326605
http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/05/como-funciona-a-politica-de-precos-da-petrobras
https://projetocolabora.com.br/cidadania/para-entender-o-fracasso-sindical-da-greve-dos-caminhoneiros/
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/05/22/Por-que-a-pol%C3%ADtica-de-pre%C3%A7os-da-Petrobras-est%C3%A1-em-xeque
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/05/confederacao-de-lojistas-estima-perdas-de-r-27-bilhoes-durante-a-greve.shtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=twfolha
https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2018/05/04/politica-de-precos-da-petrobras-traz-credibilidade-e-vai-continuar-diz-temer.htm
https://oglobo.globo.com/economia/da-agricultura-aviacao-todos-os-segmentos-contabilizam-prejuizos-com-greve-dos-caminhoneiros-22730910
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44284548?ocid=socialflow_twitter
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-44262456?ocid=socialflow_twitter

30 de maio de 2018

 

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