Já experimentou usar o jogo como instrumento de aprendizagem da matemática? Não fique de fora. Saiba o que pesquisas e pensadores colocam em discussão

 

10 de agosto de 2017

 

No Brasil e no mundo, surgiu uma grande preocupação com o baixo rendimento dos estudantes em matemática, e em busca de soluções para as dificuldades dos alunos novas propostas e estudos foram construídos.

A educação por meio dos jogos tem-se tornado, nas últimas décadas, uma alternativa metodológica bastante pesquisada, utilizada e abordada de variados aspectos. Tais trabalhos, entretanto, ocorrem em torno de jogos aplicados na pré-escola e nos primeiros anos do ensino fundamental.

No Brasil e no mundo, surgiu uma grande preocupação com o baixo rendimento dos estudantes em matemática, e em busca de soluções para as dificuldades dos alunos novas propostas e estudos foram construídos.

fonte: http://educar-a-vida.blogspot.com.br

Poucas ainda são as pesquisas que enfatizam o uso de jogos no ensino do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, no ensino médio e de modo mais específico no ensino da matemática.

Muitos foram os pensadores que colocaram em discussão a importância do lúdico através dos tempos, mas foi depois de Piaget (1896 – 1980) e Vygotsky (1896 – 1934) com a Psicologia do Desenvolvimento e da Abordagem Socioconstrutivista, que essas discussões se intensificaram.

Vejamos alguns deles:

Para Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), seria conveniente dar à criança a oportunidade de um ensino livre e espontâneo, pois o interesse geraria alegria e descontração. Assim pontua: “Em todos os jogos em que estão persuadidas de que se trata apenas de jogos, as crianças sofrem sem se queixar, rindo mesmo, o que nunca sofreriam de outro modo sem derramar torrentes de lágrimas”.

Kishimoto (1994) considera que a diversificação dos jogos ocorre a partir do movimento científico do século XVIII, propiciando a criação, a adaptação e a popularização dos jogos no ensino.

Froebel (1782-1852), idealizador dos jardins de infância, com base na concepção de que a criança é um ser dotado de natureza distinta da do adulto, fortalece os métodos lúdicos na educação, colocando o jogo como parte integrante da educação infantil, jogo este caracterizado pelas ações de liberdade e espontaneidade. Assim como a linguagem é a primeira forma de expressão social, o brinquedo é uma forma de auto expressão. Dessa forma a teoria froebeliana determinou, segundo Almeida (1987), o jogo como fator decisivo para a educação infantil.

Spencer (1820-1903) elege o jogo como elemento que propicia o desenvolvimento da vida intelectual em todos os aspectos, pois produz uma excitação mental agradável e, ainda, as crianças que com ele se envolvem denotam interesse e alegria.

John Dewey (1859-1952), ao criticar veementemente a obediência e a submissão até então cultivadas nas escolas, propõe uma aprendizagem por meio de atividades pessoais de cada aluno, em que o jogo é o elemento desencadeador desse ambiente, fértil ao aprendizado, sendo, portanto, diferente das referências abstratas, distintas, pelas quais as crianças não se motivam. Ressalta ainda que os esforços dos reformadores, o crescente interesse pela psicologia infantil e a experiência direta nas escolas fizeram com que programas e cursos de estudos sofressem profundas modificações. Pela experiência praticada, ficou demonstrado que o trabalho com jogos impulsiona naturalmente as crianças, que vão à escola com alegria, além de manter a disciplina, facilitando o aprendizado.

Importância da Matemática no Currículo Escolar

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A importância da matemática no currículo escolar é ressaltada por José Carlos G. de Oliveira (1993) no papel a ser desenvolvido pelo professor em sala de aula, papel esse que perpassa pela visão de educador, de estimulador, não esperando apenas que a escola lhe forneça condições propícias, mas, sim, que construa, em todos os momentos da ação pedagógica, diretrizes que ampliem os conhecimentos para além dos muros escolares, sem perder de vista os conteúdos, vendo o sujeito histórico, inserido no mundo, visando sempre ao seu crescimento.

Para D’Ambrósio (1994), a verdadeira educação é uma ação enriquecedora para todos os que com ela se envolvem, e sugere que em vez de despejarmos conteúdos desvinculados da realidade nas cabeças dos alunos, devemos aprender com eles, reconhecer seus saberes, e juntos buscarmos novos conhecimentos. E mais, entender as etnomatemáticas dos alunos, aliando-as às nossas, temperadas com as acadêmicas. Assim poderemos gerar momentos felizes e criativos em sala de aula.

Trabalhos com Jogos e Ludicidade

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Machado et al. (1990) inferem da ação benéfica dos jogos em aulas de matemática que, uma vez que essas atividades são motivadoras, impulsionam naturalmente o gosto e o prazer pelo estudo, propiciam mais alegria aos alunos, conduzem à investigação de novas técnicas de soluções de problemas envolvidos nos jogos, dão a oportunidade de o aluno tornar-se um sujeito ativo e participante do processo de aprendizagem, ou simplesmente trazem prazer pelo lazer da recreação. Enfim, o jogo pode ser “( … ) um elemento fundamental para a ultrapassagem de uma concepção de Matemática que condena o seu ensino a uma organização rigidamente linear, como se todo conteúdo tivesse que ser estruturado e apresentado de modo fragmentado, passo a passo”.

Outro trabalho com jogos no ensino da matemática, e que é bastante considerado, são os estudos realizados por Kamii (1988, 1991, 1992, 1995). Para essa autora, os jogos são um elemento que se deve incentivar a colocar em sala de aula, uma vez que, se são prazerosos e interessantes fora da sala de aula, no cotidiano dos alunos, por que não trazê-los para o contexto escolar? Fundamentada em Piaget, a autora acredita que os jogos em grupo, usados em sala de aula, devem ser incentivados não pelo simples fato de ensinar as crianças a jogar, mas sim porque promovem a habilidade de coordenar pontos de vista, além de serem jogos mais frutíferos, pois com eles as crianças estão mais ativas, atentas às suas jogadas e às dos outros, supervisionando-os mais do que ao trabalharem com folhas de exercícios, quando ficam sozinhas.

A utilização de atividades lúdicas em aulas de matemática, além dos aspectos cognitivos relevantes para a sua aplicação, não deve ignorar ou menosprezar o aspecto afetivo desencadeado pela ação do jogo, na aproximação entre jogadores, bem como na do aluno com o professor.

Essa ocorrência é verificada nos ensinamentos de Piaget e pontuados por Brenelli (1993) como “( … ) em toda conduta humana o aspecto cognitivo é inseparável do aspecto afetivo, compreendido como a energia da ação que permeia a motivação, o interesse e o desejo”.

É notório que o jogo é uma atividade desencadeadora de diversas atitudes já pontuadas até o momento e que a validade dos jogos no ensino não se limita apenas à matemática nem às crianças da pré-escola e do ensino fundamental.

No entanto, essa é uma prática que encontra ainda bastante resistência quando da sua aplicação nas aulas, de modo mais específico nas aulas de matemática, em outros níveis de ensino. A utilização de metodologias lúdicas é restrita a alguns poucos educadores que, como declara Elias (1995), não estando satisfeitos com sua prática docente, buscam soluções alternativas.

Essas soluções estão hoje pautadas no repensar das questões “( … ) da aprendizagem significativa, prazerosa e espontânea, uma aprendizagem voltada para o desenvolvimento de valores e atitudes e o preparo do aluno para o desempenho da verdadeira cidadania”.

 

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Por fim, fique com essa brilhante frase de Callois:

“Cada jogo reforça e estimula qualquer capacidade física ou intelectual. Através do prazer e da obstinação, torna fácil o que inicialmente era difícil ou extenuante.”

Callois (1990)

Referências Bibliográficas
ALMEIDA, Paulo Nunes de (1987). Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola.
 ALVES, Eva Maria Siqueira. A ludicidade e o ensino de matemática. Papirus Editora: 2015.
 CALLOIS, Roger (1990). Os Jogos e os Homens: a máscara e a vertigem. Trad. De José Garcez Palha. Lisboa: Edições Cotovia.
 D’AMBRÓSIO, U. (1994). Ciências, informática e sociedade: Uma coletânea de textos. Brasília: EUB.
 DEWEY, John (1936). Democracia e mudança. São Paulo: Cia. Editora Nacional.
 KISHIMOTO, Tzuko Morchida (1994). O Jogo e a Educação Infantil. São Paulo: Pioneira.
 MACHADO, Nilson José et al. (1990). “Jogos no ensino de matemática”. Cadernos de Prática de Ensino, nº 1. USP. (Série Matemática)
 OLIVEIRA, José Carlos Gomes de (1993). “A matemática no currículo escolar”. Bolema, nº 9. Rio Claro.
 SPENCER, Herbert (s.d.). Educação intelectual, moral e physica. Porto: Casa Editora Alcino Aranha.

Tutor: Márcio André Emídio

 

10 de agosto de 2017

 

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