Sociologia para concursos

 

30 de novembro de 2015

 

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A preocupação da sociologia desde o início de suas ideias vem sendo compreender as características mais importantes na sociedade capitalista, inclusive, na sua consolidação como ciência no final do século XIX. É nesse período em que o capitalismo se consolida como algo até então novo, ligado as relações de trabalho. Sendo assim, pensadores da sociedade da época começam a se questionarem em busca de respostas que explicassem a dinâmica social com base nas mais diferentes perspectivas.
Partindo dessa premissa, as mudanças ocorridas levaram pensadores a elaborarem teorias explicativas para as dinâmicas sociais sobre os olhares e posicionamentos políticos. Eis que surge a principal preocupação dessa ciência, explicar e questionar mecanismos de produção, organização, domínio, controle e poder, de fundo institucional ou não, resultando variações de maior ou menos exploração de igualdade nas relações sociais.
Conforme o mundo globalizado atesta seu tamanho e mostra suas complexidades, é possível ater a ciência sociológica, ou outras ciências, responder ou explicar as problemáticas sociais sem cair em explicações frívolas, precisando apenas ter humildade para compreender que a amplitude das mudanças sociais, políticas, econômicas, culturais, econômicas e ecológicas que a sociedade e o planeta estão vivendo, não permitindo explicações retraídas, que apropria da verdade. Dessa maneira, a complexidade e amplitude desses estudos caracterizam a sociedade contemporânea a fim de melhorar a compreensão e atuação política do mundo em que vivemos.
Partindo dessa premissa, compreende-se que a sociologia estuda a vida humana em grupos grupo e sociedade quando relacionados ao comportamento humano em seu meio social, a afim de compreender as ações individuais ou comunitárias. A ideia dos estudos da sociedade percorreu vários obstáculos ligados a vários ramos do conhecimento humano
O período ocorrido entre a Revolução Francesa e as grandes mudanças que ocorreram com a Revolução Industrial delineou o caminho que deu início a uma matéria que se dedicaria ao estudo que demonstrava as mudanças de ritmo acelerado no meio social europeu. O filósofo francês Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (1798-1857), também conhecido apenas como Augusto Comte, se destacou pela busca na construção da área do conhecimento em que voltava para o estudo desses fenômenos sociais.
Comte acreditava que a sociedade não só poderia como deveria ser alvo de abordagens científicas. Dessa forma, uma nova área de conhecimento voltada a compreensão das leis gerais que regem o mundo social humano deveria ser formalizada a partir dos princípios semelhantes das demais ciências naturais. Desta maneira, seria por meio de métodos científicos que normas e regras gerais a respeito do indivíduo, em conjunto ou isolado, seriam entendidas, tendo como o poder de intervir nos problemas sociais de forma a resolver e eliminar de nossa convivência. Comte chamou essa nova ciência de Sociologia.
Ao longo da história, os estudos da sociologia passou por mudanças, uma vez que a sociedade não sofre por regras fixas ou leis pétras que conduz os fenômenos sociais. Mesmo após as mudanças não invalidaram os esforços iniciais de Comte. É no trabalho do sociólogo que torna-se possível compreender a complexidade do mundo sem determinar necessariamente as leis fundamentais regentes. A regularidade dos comportamentos e aparatos sociais que são construídos para sustentar a convivência são objetos passíveis da observação e estudo de forma que, ao conseguir entende-los, será parte componente do esforço da compreensão de nós mesmos.

Mas afinal de contas, qual a função da sociologia em nossas vidas?
O olhar de mundo sob a perspectiva sociológica ajuda-nos a encarar a realidade por ângulos diferentes do que comumente costumamos a enxergar. Como seres humanos, indivíduos e componentes de uma sociedade, estamos acostumado a levar em consideração apenas aquilo que permeia a nossos olhares, que está em nosso contato direto.

Nessa perspectiva, a sociologia traz o pensamento de que a nossa realidade não é formada apenas por pensamentos e experiências particulares e sim com a interação com os demais integrantes dessa mesma realidade, interagindo com a realidade pessoa do indivíduo e auxiliando indiretamente na construção de um todo muito maior e, como consequência, acaba moldando a realidade de acordo como interagimos com o mundo.
Entende-se que a sociologia está presente para fazer enxergar o abstrato, desanuviando a visão do mundo e, como consequência, percebendo que a realidade do indivíduo pode ir muito além do que se imagina.

Conceitos básicos
Conforme fora explanado até então, passamos por temas da sociologia e para que podemos utiliza-la em nosso cotidiano. Agora, iniciaremos uma abordagem mais profunda, explanando os principais autores e suas teorias, fundamental para o entendimento de temas abordados até os dias atuais

Augusto Comte (1796-1857) – Positivismo
Corresponde a uma corrente filosófica com linhas teóricas da sociologia, conforme as ideias de seu principal autor, Comte, no século XIX. O positivismo surge em resposta ao idealismo, opondo a superioridade apresentada da razão e da experiência sensível dos dados positivos, apresentando ideias e formulações sem teologia ou metafísica, correspondendo apenas ao mundo físico/material.

Partindo dessa premissa, entende-se que a filosofia positiva ou positivismo corresponde de maneira a entender o mundo, o homem e as coisas como um todo. Sendo assim, compreende-se que os fenômenos da natureza regem as leis naturais, e que a observação descobre a ciência e que permite aplicar a tecnologia, preferencialmente ao ganho do ser humano. Sobre as leis naturais, Comte considerava sete categorias, sendo elas os fenômenos matemáticos, astronômicos, físicos, químicos, biológicos, sociais e psicológicos.
Sobre a perspectiva do positivismo, o entendimento dos fenômenos e sua maneira de explicar o mundo, condiz que o progresso da humanidade parte da concepção teológica para chegar a filosofia positivista. Desta forma, na tentativa de explicar o universo, o homem se submete em três estados:

Estado teológico ou fictício: É quando o homem explica situações a partir de vontades contrárias a nossa. Por exemplo, podemos explicar a tempestade por um capricho do deus dos ventos, Éolo. Desta maneira, a forma de pensamento vai do fetichismo (entidades espirituais que possuem poder de magia) ao politeísmo (crença religiosa que pode admitir mais de um deus) e ao monoteísmo (crença religiosa que admite um único deus).
Estado metafísico: Nesse caso, os deuses são substituídos por princípios imaterial, atribuindo suas causas a natureza. Nesse caso, no exemplo da tempestade, pode vir a ocorrer pela dinâmica do ar.
Estado positivo: Procura a resposta final para a compreensão dos acontecimentos, respondendo os últimos questionamentos que possam haver sobre alguma coisa.

De grande sucesso na segunda metade do século XIX, o positivismo perdeu força no século XX. Contudo, no mesmo século, ele vem sendo redescoberto de maneira a perceber o homem, o mundo, a ciência e suas relações sociais.
No Brasil, o positivismo teve forte influência no emprego da frase “Ordem e Progresso”, extraído da máxima positiva “O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”. Tão importante seu movimento que se encontra essa fórmula na bandeira brasileira, tendo como intenção de passar a imagem que cada coisa que se encontra em seu devido lugar seria conduzida para a perfeita orientação da ética social da vida.

Herbert Spencer (1820-1903) – Evolucionismo e Organicismo
Spencer foi um dos pioneiros da sociologia, sento influente na Inglaterra, França e Estados Unidos. Sua teoria defendia o evolucionismo, na qual utilizava dados da história, psicologia e da biologia que, a partir do último desenvolveu a teoria organicista. Sua teoria abordava que a evolução social não dependia apenas da vontade humana.

O autor estava convencidos que os agrupamentos humanos poderiam ser estudados cientificamente e que, a organização social do homem apresenta uma série de domínios do universo – físico, biológico e social. Dessa forma, sabe-se que quanto maior a sociedade, mais completa a mesma se encontra, desenvolvendo entre elas:

Independência em seus componentes especializados;
Concentração de poder para controlar as atividades.

Ainda Spencer faz uma analogia aos corpos orgânicos, argumentando que a sociedade como organismos biológicos, desempenham papéis fundamentais para a sobrevivência, se reproduzindo e produzindo bens passíveis de sustentar seus membros, isso sem contar as atividades de coordenar e regular tais atividades.
Ainda na sociologia, Spencer é bem lembrado por instituir a teoria do funcionalismo, explicando que tudo que possa existir em uma sociedade, tem a “missão” de contribuir para o funcionamento equilibrado, tendo tudo um significado.

A partir de Comte e Spencer, caro leitor, começa a surgir outras diversas teorias que condizem a ciências sociais sendo estudado até os dias atuais, tendo as demais teorias e seus respectivos autores citados logo abaixo. Não pense que os demais são menos importantes por não serem mais aprofundados nesse artigo, uma vez que a intenção é explanar a respeito da sociologia. Aos curiosos e apaixonados pelo assunto, deixo abaixo as principais teorias presentes na ciência, além de algumas referências para quem desejar aprofundar na temática.

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E o que difere de outras ciências?

Dá-se início da discussão no século XX, quando antropólogos e sociólogos guiavam os estudos sobre as cidades não-industrializadas, no qual era de contribuição a antropologia, que também fazia pesquisas sobre a cidade industrializada. Contudo, suas principais diferenças sempre foram os problemas teóricos e seus métodos de pesquisas dos quais abordam determinados objetos de estudo.

A psicologia social se difere da sociologia pois analisa mais o comportamento do que as estruturas sociais em si e, além disso, se preocupa com motivações exteriores que gerem a ação do indivíduo, contrário da sociologia, que busca a compreensão na sociedade como um todo, na ação dos grupos em geral.

A economia se interessa nos aspectos das relações sociais, referidos como produção e troca de mercadorias. Na sociologia, o estudo vai além, aonde também referido por Karl Marx como o capital, tendo como objeto de estudo a relação entre o social, ou aqueles que vendem sua força de trabalho, e os detentores dos meios de produção, indo muito além do que explicações unicamente econômicas.

Já a filosofia social busca criar teorias da sociedade com o enfoque de explicar as variâncias do comportamento social em ordem moral, estética e histórica. Contudo, existem obras dos teóricos sociais que buscam reunir esse arcabouço de conhecimento, mas com linhas de raciocínio diferentes.

Mas, e os concursos?
Em concursos, independente da área, quando se pede questões de sociologia, aqueles que elaboram as provas costumam pedir questões referentes as teorias sociais. Apesar de compreensão do dia-a-dia como dito anteriormente, o conteúdo da ciência social é levado a sério, a nível de discussões que permeiam, inclusive, nos dias atuais. Apesar de complexo, aconselha-se não estudar a finco a vida do autor, mas sim saber quais foram suas principais contribuições para a história dos estudos sociais. Abaixo, iremos abordar algumas questões que caíram em prova para você, leitor, ter uma base de como poderá ser as questões. Lembrando que as questões podem ou não ter sido citadas nesse material e que, para realizar a prova de um concurso com sucesso, deve-se aprofundar mais no assunto!

1. (TJ/ES- Analista Judiciário- Pedagogia- CESPE/2011) Para Karl Marx, a educação transita entre dois polos: o da afirmação dos valores e o da reflexão crítica.

(  ) Certo.
(  ) Errado.

Resposta: Certo.
A atividade do educador, na perspectiva de Marx, nos leva a observar, por conseguinte, os dois polos: o da afirmação de valores e o da reflexão crítica/autocrítica; o das convicções e o das dúvidas. A educação, no âmbito do esfor­ço daqueles que lutam por uma democratização mais efetiva da sociedade, deve passar continuamente de um polo ao outro. Se es­tacionar no primeiro, coagula os valores, ossifica-os, engessa-os e atrela a práxis a dogmas. Se ficar girando exclusivamente em torno do segundo, esvazia a práxis, emperra-a, prende-a num círculo vi­cioso, transforma-a num jogo estéril.

2. (SEE-AL- Professor Sociologia- CESPE/2013) Não podemos perder de vista o fato de que a sociologia surgiu em um momento de grande expansão do capitalismo. O caráter antagônico da sociedade capitalista, ao impedir um entendimento comum por parte dos sociólogos em torno ao objeto e aos métodos de investigação desta disciplina, deu margem ao nascimento de diferentes tradições sociológicas ou distintas sociologias.
Carlos B. Martins. O que é Sociologia. 13 ed. São Paulo,
Brasiliense, 1986 (texto com adaptações).

De acordo com as tradições da teoria sociológica, julgue os itens a seguir.
Na abordagem marxista não se concebe o espaço de liberdade às racionalidades individuais, uma vez que as estruturas sociais determinam as superestruturas sociais e condicionam as mentalidades individuais.

(  ) Certo.
(  ) Errado.

Resposta: Certo.
Uma vulgarização grosseira do pensamento marxista. Mais correto seria dizer que “determina em última instância” e “condiciona as possibilidades de desenvolvimento”. A influência da infraestrutura é indireta. Também é um raciocínio rasteiro dizer que não há espaço para a razão individual. Ela se manifesta por meio das classes, mas não é inexistente, do contrário Marx sequer teria escrito um livro como o Manifesto, já que sua ação individual não teria a acrescentar a sua causa política. Esses reducionismos pra mim fazem da questão errada. Se fosse um aluno de ensino médio, tudo bem, mas uma prova de concurso para cargo de sociólogo não pode ser leviana assim.

3. (CAERN- Sociólogo- FGV/2010) A concepção de Ideologia em Karl Marx contempla as dimensões expressas nas alternativas a seguir, À EXCEÇÃO DE UMA. Assinale-a.
(A) Representa as ideias de uma classe dominante.
(B) Está subordinada às condições materiais de existência.
(C) É concebida como uma falsa consciência da realidade.
(D) Pertence ao campo da superestrutura.
(E) Desenvolve-se de forma independente das relações sociais.

Resposta: E
A – a ideologia representa as ideias de uma classe dominante – correto, pois quem detém o poder impõe a sua ideologia
B – está subordinada às condições materiais de existência – correto, Marx defendia o materialismo histórico, as condições materiais de existência determinavam a forma de existir e de pensar de uma sociedade.
C – é concebida como falsa consciência da realidade – correto, está vinculada à ideia de alienação, já que o trabalhador não se identifica no produto de seu trabalho.
D – pertence ao campo da superestrutura – correto, para Marx a estrutura era a base econômica, todas as outras questões, política, ideologia, direito, pertencem à superestrutura.
E – desenvolve-se de forma independente das relações sociais – errado – a ideologia depende das condições materiais de existência e das relações sociais de produção.

Viu só? Apesar do amplo conteúdo que a sociologia nos traz, os concursos costumam trazer as provas aquelas questões referentes aos principais pensamentos do autor. Quando forem estudar, aconselha-se prestar bastante atenção nesse detalhe, combinado?

Conclusão
É possível concluir que a ciência social através de seu método de investigação busca suprir a necessidade de compreender e explicar as diversas estruturas da sociedade, analisando as relações históricas e culturais a fim de manter e criar seus conceitos e teorias com a intenção de entender, manter e/ou alterar as relações de poder existentes.

Seu objetivo de manter as relações estabelecidas consciente ou não, entre os indivíduos de determinada comunidade, em grupos sociais semelhantes ou mesmo grupos diferentes que lutam para a sobrevivência e buscam a harmonia de seu território para a melhor organização. Desta maneira, compreende-se o motivo de que cada pensador foi importante para sua época, uma vez que fez a reflexão das partes para a construção do todo.
Em particular, cada sociólogo foi capaz de perceber as fragilidades da sociedade e propor soluções, muitas vezes criticadas, outras aceitas, sendo possível viver hoje não em uma sociedade em paz, mas em sociedade possível de conviver, habitável.

Referências
GUSMÃO, P. dourado de. Teorias Sociológicas. 2ª Ed.– Rio de Janeiro: Forense, 1967.

Retirado de: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/livro_didatico/sociologia.pdf>. Acessado em: 25/11/2015.
Retirado de: <http://www.webartigos.com/artigos/a-sociologia-e-as-teorias-sociologicas/23914>. Acessado em: 26/11/2015.

Tutor Thiago de Andrade Águas
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30 de novembro de 2015

 

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