Entenda as diferenças entre a região da Catalunha e a Espanha e não tenha surpresas na sua prova de História/Atualidades

Por Maxi Educa 20 out 2017 - 11 min de leitura
11 min

Catalunha e Espanha tem roubado a cena ultimamente e inspirado os mais nacionalistas e fanáticos pela causa dos “mais fracos”. Em um plebiscito não autorizado, tal qual o feito pela Catalunha, convoquei os leitores para “consultar” o tema do próximo blog e (…).

Os teclados responderam e a TL não mente! Já há algumas semanas ocupando lugar de destaque no Twitter e outros sites de notícias, hoje nós vamos falar a respeito das diferenças entre Catalunha e Espanha.

Afinal, são ou não são farinha do mesmo saco? Existe tantas diferenças assim? A Catalunha quer conquistar ou reconquistar sua independência? Quem sai ganhando de verdade nessa história? E o mais importante: Não veremos mais Barça x Real pelo campeonato espanhol?

Continue conosco e fique afiado para as questões de atualidades e história.

A Catalunha e a Espanha não são a mesma coisa?

fonte: http://taizabritomundoafora.ne10.uol.com.br/?p=1231>

Seria muito mais fácil explicar se fosse assim. Algumas pessoas quando leem sobre as notícias podem de cara fazer uma associação com nossa realidade. Mas a Catalunha não é um Estado (ou similar) espanhol.

Não podemos classifica-la assim. E os motivos, além da própria composição política espanhola – que será abordada mais abaixo – são históricos e vêm de muito, muito, mas muito tempo atrás…

Para entendermos a notável diferença entre ambos, vamos sim ter nosso momento aula de História (que é o mais lega!!!!!). Mas serei um cara bacana e vou pular alguns milhares de anos e começar só a partir da Idade Média.

Vamos começar com um mapa:

No passado a Catalunha tinha as próprias leis, costumes, língua (ainda tem) e até moeda.

Fonte: < http://mundoeducacao.bol.uol.com.br

 Notou que a região da Catalunha fica no nordeste da Espanha? Ali, na fronteira com a França? Lembre-se disso porque é importante.

Na Idade Média houve um período em que os mouros se assanharam para o continente europeu. Pegaram a Península Ibérica e continuaram subindo. Há quem diga que se não fosse o Carlão (Carlos Martel, pai do Pepino, avô do Carlos Magno) dar uma freada neles na França, a Europa toda teria sido submetida. (Não vamos entrar nesse debate).

Martel não apenas freou a expansão do islã, como também deu o pontapé inicial na chamada Reconquista dos reinos cristãos. E é nesse contexto que a gente pode começar a demarcar a Catalunha parecida com o que é hoje (geograficamente falando).

Os condados catalães (do Norte e do Sul) nasceram das ramificações e conquistas que a gente só encontra na malha medieval. Norte com clara influência francesa e sul com influência árabe (após o período do domínio mouro). A partir do século XII com domínio do norte, passaram a ser conhecidos apenas como Catalunha. Algum território entrou, algum saiu, mas a ideia é essa.

A Novela aqui é extensa e não acho que poderá ser questão de concurso. Só para sabermos: Haviam quatro grandes reinos, Navarra, Aragão, Castela e Condado Portucalense (Portugal). Castela era gulosa e queria abocanhar Aragão e Portugal. Apanhou dos nossos irmãos lusitanos. Abocanhou Aragão. A filha do governante de Aragão casou-se com o Conde de Barcelona e a Catalunha sentiu o gostinho do poder.

Apesar da união, ambos os reinos mantinham sua língua, suas leis e costumes.

Teremos conflitos internos, guerras de expansão e de defesa, peste negra, enfraquecimento e finalmente os Reis Católicos tacam o terror e unem toda a Espanha (seria muito extenso descrever tudo).

E toda essa enrolação histórica é importante para entendermos justamente os argumentos históricos a respeito do pleito à separação. Os catalães defendem que não só já foram independentes, como sua autonomia e organização antecede mesmo à da própria Espanha, já que ainda não exista a unificação dos Reinos pelos Reis Católicos.

Por outro lado há quem diga que o conceito de nação independente nem pode ser usado para esse período já que a ideia de nação é posterior a isso e principalmente no período medieval há inúmeros exemplos de reinos/feudos/regiões/condados autônomos politicamente que são parte de países hoje.

Já somos Espanha!

Fonte: < https://www.estudopratico.com.br

 Vamos pular a trajetória histórica da Península Ibérica e os episódios de sucessão real e casamentos arranjados (aqueles que davam certo) e pararmos no ponto da linha do tempo em que falamos da Espanha como é hoje.

Vimos que no passado a Catalunha tinha as próprias leis, costumes, língua (ainda tem) e até moeda. Que mesmo quando pertencia a outros tinha seu próprio governante/parlamento dependendo do período histórico. Mas como é hoje afinal?

É quase isso! HAHAHAHAHA.

(¬¬”)

Vamos entender: A Espanha vive hoje uma monarquia parlamentar. O Chefe de Estado, óbvio, é o Rei. O legislativo fica por conta das Cortes Gerais.

Sério! Usam o termo “Cortes”! Tipo quando as “Cortes portuguesas exigiram o Retorno de D. Pedro!” Eu acho muito legal! =D

As Cortes (uhu!) por sua vez estão divididas entre o Congresso dos Deputados e o Senado.

O judiciário é representado pelo próprio Rei, juízes e magistrados. Tudo bem. Nada revolucionário e nada que já não tenhamos visto em outros lugares. O que talvez seja diferente e ajude a explicar o que tanto a Catalunha se assanhe é o sistema de Comunidades Autônomas.

As Comunidades Autônomas

Fonte: <https://www.saberespractico.com

Em 1978 a Espanha oficializou uma nova Constituição, afinal havia acabado de sair do período franquista.

Na nova Constituição ficou estabelecido um modelo de administração mais descentralizado com um sistema de comunidades autônomas e capital em Madrid. Apesar de haver leis e regras para todo o país, o sistema mantém um parlamento e governo autônomos com várias diferenças entre eles.

Ao todo a Espanha tem 17 comunidades autônomas sendo as mais prosperas economicamente as comunidades da Catalunha, Madrid, Andaluzia e Valenciana sendo responsáveis juntas por pouco mais de 60% do PIB do país.

Além das grandes diferenças econômicas, diferenças culturais e sociais também são notáveis. Temos por exemplo diferentes línguas oficiais, como o catalão, o galego e o valenciano (…).

A Catalunha quer mesmo pular fora?

Além das diferenças históricas (não falamos nem de um quarto delas) a Catalunha difere culturalmente da Espanha. A língua acaba sendo o fator que mais chama a atenção, mas trata-se quase de um cultura diferente dentro do mesmo país.

O Generalitat (governo catalão) está puxando um briga com o governo espanhol acreditando que está exercendo a vontade da população catalã (7,5 milhões de pessoas).

Apesar disso, as pesquisas realizadas fora do âmbito do plebiscito não apontam exatamente para o mesmo discurso. De acordo com pesquisas do jornal El País, apenas 41% da população é a favor da separação. A grande porcentagem divulgada na última semana trata apenas a respeito de quem compareceu para votar no referendo (ilegal segundo o governo de Madrid). Cerca de 2,2 milhões de pessoas votaram, e desses, 90% são a favor.

Economicamente também existem motivos: 16% da população espanhola vive na Catalunha que por sua vez é responsável por 19% do PIB espanhol. A partir daí o raciocínio deles é simples: a população catalã paga mais impostos e recebe menos benefícios proporcionalmente em relação às outras comunidades.

Os motivos econômicos levam aos políticos: os catalães acreditam que os políticos espanhóis não são tão honestos quanto os catalães (oxi! Deixa esses amadores conhecerem os métodos de corrupção dos nossos, somos referência!!!), o que não necessariamente reflete o não retorno em investimentos proporcionais aos impostos, mas quando querem achar motivos para brigar, acham!

A Espanha perder quase um quinto do seu PIB, mais de 7 milhões de sua população, a região que mais recebe turistas e o Messi, são ótimos motivos para não deixar a Catalunha escapar!

Mas afinal, a Catalunha estaria melhor sem a Espanha?

Daria certo?


 Fonte: < http://www.revistadigital.com.br

A Catalunha tem governo próprio, polícia própria, bandeira, língua, sistema de educação, saúde… Afinal. Precisa da Espanha pra que?

Eu lhes digo:

– Pra um monte de coisa!

Quando a gente lê isso de forma desatenta realmente parece que a Catalunha já pode sobreviver por ela mesmo. Não é bem assim. Importantes áreas fundamentais em uma nação ainda são desempenhadas pelo governo de Madrid: exército, representação oficial no exterior, um Banco Central, uma Receita Federal, impostos institucionalizados e até controle de tráfego aéreo por exemplo.

Então fica a pergunta: Mas a Catalunha consegue bancar tudo isso se deixar de contribuir para a Espanha?

Cada lado dá sua resposta. Os defensores da separação dizem que sim. Que a arrecadação regional é o suficiente para isso. Já os espanhóis dizem que os gastos que a Catalunha teria com a parafernália administrativa governamental seriam maiores do que a arrecadação. Argumento que faz um pouco mais de sentido pelo princípio de que com a separação, a Catalunha arrecadaria menos. E arrecadaria mesmo.

Mas por que?

Algumas indústrias e até instituições financeiras (bancos) já mudaram suas sedes para fora da Catalunha. Eles deixaram uma mensagem clara: de que podem ser apenas os primeiros. Independente das intenções do governo e da população, aquele pessoal que visa o lucro sabe que ser espanhol é melhor que ser catalão na questão do lucro.

Por que?

(Por que sim!!! ¬¬”)

Simples. Não sendo mais parte da Espanha, a Catalunha também não faz mais parte da União Europeia. Afinal ela seria um país totalmente novo e para ingressar na UE, é necessário um longo e cansativo processo para atender uma série de requisitos e exigências. Saindo da UE, a Catalunha também perde acesso ao Banco Central Europeu. Não pode usar o euro como moeda e perde todos os benefícios econômicos de transações da zona do euro.

Então a situação fica mais difícil. Se hoje eles até podem ter dinheiro o bastante para arcar com os custos de ser independentes, talvez com a independência eles não tenham o mesmo dinheiro. São especulações mas fazem sentido.

E quem é de fora?

Fonte: < https://gz.diarioliberdade.org

 Sabe aqueles silêncios constrangedores de quando a pessoas que é alvo da conversa entra na sala falando sobre um tema que vocês estavam falando momentos antes?

Poisé… Quando a Catalunha apela para a UE por apoio à sua causa, é mais ou menos isso que acontece.

E para não dizer que não há apoio, temos que dizer, há sim! A Venezuela, (huauhauhauha), isso aí, a Venezuela aplaudiu a realização do plesbicito! Afinal é um ato democrático!

O que se passa na Europa é o seguinte: as poucas manifestações de apoio à questão surgiram apenas quando a polícia espanhola desceu a lenha nos manifestantes e votantes. Afinal, contra a violência todos parecem ser. A respeito da separação em si, não houve maiores manifestações. Primeiro porque a Constituição da Espanha, a mesma que falamos acima, apesar de prever as Comunidades Autônomas também prevê que o território espanhol não pode ser dividido.

Apoiar a Catalunha é ir contra a Espanha. A Espanha é membro da UE e claro, a UE defende os interesses de seus membros. A resposta é clara, a Catalunha ser independente resulta em exclusão da UE.

A implicância se dá pelos medos de outros países. A Catalunha é apenas um exemplo dentro da Europa de região dentro de um país que tem cultura ou língua diferente. Qualquer apoio à Catalunha abre precedentes de apoio a qualquer outros países/regiões queiram também suas autonomias. Então é melhor não encorajar ninguém.

Mas e agora?

Fonte: < http://anortedealvalade.blogspot.com.br

O Generalitat quando do plebiscito, havia dito que com o resulto favorável e com a vontade da população declararia a independência unilateral em até 48 horas após sua realização. Houve até um momento de apreensão na última terça feira (10/10) a respeito do discurso do presidente regional Carles Puigdemont.

Não houve declaração, mas houve uma assinatura “simbólica” segundo o presidente de um documento que atestava a independência da região. Além de não ser oficial, a Espanha deu uma dura no presidente e exigiu maiores explicações.

O episódio serviu apenas para enfraquecer as ideias catalãs. Sem o apoio externo necessário e com a força repressiva (politicamente, não apenas violentamente) espanhola, Carles Puigdemont deu uma recuada. O que se espera nos próximos dias não são mais do que mais negociações.

Do lado espanhol há a abertura para isso, até com a possibilidade de oferecer maior autonomia à região, mas a separação não está na pauta de Madrid.

Ainda haverá episódios e notícias a respeito disso.

Fique atenção aos jornais e à sua TL e acompanhe o desenrolar desses fatos. A questão da Catalunha é pedida quente nas provas de atualidades e Conflitos e Política Internacionais.

Fique conosco e mantenha-se atualizado!

Tutor: Matheus De Marchi

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