Inflação alta: O que é a inflação e Qual a causa disso? Qual a experiência do Brasil com a inflação? Como você é afetado com isso? E agora, estamos com alta inflação?

Por Maxi Educa 08 nov 2017 - 15 min de leitura
15 min

Fala-se muito de inflação, no entanto, nem sempre as pessoas estão sabendo do que estão falando e nem sempre se utiliza o conceito da forma mais correta. Basta ter uma subida de preços que já observamos muitos pseudoeconomistas palpitando sobre o assunto.

Mas, tenha em mente que a inflação não é a simples subida de preços. Não se pode falar de inflação quando o leite ou o tomate aumenta o preço, isoladamente. Isso porque os preços são gerados pela lei da oferta e demanda e o fato do preço de um item (ainda que básico) aumentar não quer dizer que se perdeu o poder de compra.

Portanto, a inflação não é, assim, a simples subida do preço de um bem ou de um serviço.

Inflação se refere ao processo persistente e relativamente generalizado de aumento dos preços em vigor numa dada economia, observado ao longo de um dado período de tempo.

http://www.koufogiorgos.de/aktuell_was_sonst_noch_eng.html

 Definição: Inflação se refere ao processo persistente e relativamente generalizado de aumento dos preços em vigor numa dada economia, observado ao longo de um dado período de tempo.

Considerações sobre a Inflação

fonte: https://fronteiraonline.com.br

Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência de criação adicional de dinheiro.  A principal e mais visível consequência da inflação é a elevação dos preços.  Portanto, uma inflação é causada basicamente pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.

Um dos principais motivos para a criação de mais dinheiro é a existência de um orçamento deficitário (orçamento que falta dinheiro, apresentando saldo negativo) por parte do governo.  Orçamentos deficitários são gerados por gastos crescentes e extravagantes, os quais o governo é incapaz de cobrir utilizando suas receitas de impostos… algo bem improvável no nosso Brasil, não é mesmo?

Saiba que uma prolongada inflação nunca faz bem à economia.  Na verdade, ela desequilibra e desorganiza, direcionando a produção e o emprego para investimentos que mais tarde não se sustentarão, gerando prejuízos, desperdício de recursos escassos e maior desemprego.  O desemprego gerado permanece em níveis elevados enquanto o salário demandado estiver acima do real valor de mercado. Com elevado desemprego as pessoas consomem menos, uma parte por não ter a renda estável e outra parte por sentir medo de também perder seu emprego. Com menos consumo, a economia toda é prejudicada tendo que reduzir seus custos, gerando mais desemprego. E assim pode se tornar um ciclo…

Para evitar estragos ainda maiores, o orçamento do governo deve ser equilibrado o mais rápido possível.  O recomendável é que o equilíbrio deve ser alcançado por meio de um forte corte de gastos, e não pelo aumento de uma carga tributária (já extremamente elevada em nosso país), que achata salários, desestimula o trabalho, a produção e o consumo… veja que a economia já ensina devidamente o que fazer…

 Vamos realmente entender: Quais são as causas da inflação?

 

fonte: http://iemif.org/site/ver.php?id=2375&grupo=3

 Nem todas as inflações são geradas da mesma forma. Para entender a questão da causa inflacionária deve-se distinguir as seguintes inflações:

 -A inflação de demanda refere-se ao excesso de demanda total de bens e serviços em relação à produção disponível. Isto é, a oferta total não consegue suprir às expectativas de demanda e os valores destes bens e serviços precisam aumentar para equilibrar a economia.

 -A inflação de custos ou inflação de oferta. O nível da demanda permanece o mesmo, mas os custos de alguns fatores importantes para a produção aumentam. Com isso, ocorre uma retração da produção, reduzindo a oferta e levando a um aumento dos preços de mercado. Pode ser devido a aumento de combustíveis, energia, salários, entre outros, sendo repassados aos preços dos produtos e serviços.

– Inflação inercial é o processo automático de realimentação de preços. Isto é, a inflação corrente decorre da inflação passada, perpetuando-se uma memória inflacionária. Mesmo que todas as causas da inflação desaparecem, os agentes continuam aumentando o preço. Ou seja, os aumentos de preços passados são automaticamente repassados para todos os demais preços da economia, gerando uma bola de neve de inflação.

Causas da Inflação segundo a corrente estruturalista

Na América Latina, a partir dos anos 1950, ganhou destaque uma corrente que pressupõe que a inflação no continente estaria associada a deficiências na estrutura econômica. É a corrente estruturalista ou cepalina, por ter sido originada na CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e Caribe, organismos da ONU sediado no Chile.

Segundo essa corrente, a inflação seria explicada principalmente por questões estruturais (daí o nome), como estrutura agrária e estrutura oligopólica de mercado e estrutura de comércio internacional. Calma que explicaremos isso de forma mais prática:

A oferta agrícola não suportaria a proporção do crescimento da demanda de alimentos, por ser dominado por latifúndios despreocupados com questões de produtividade. Isso levaria ao aumento de preço dos alimentos. Por outro lado, grandes oligopólios (número reduzido de empresas domina o comércio de um determinado produto ou serviço) têm condições de manter suas margens de lucros, repassando todos os aumentos de custos aos seus preços. Finalmente, a inflação seria provocada pelas desvalorizações cambiais que os países subdesenvolvidos sofrem, geradas pela questão dos países subdesenvolvidos exportarem produtos primários (de menor valor agregado) e importarem produtos manufaturados (de maior valor agregado).

Ainda segundo os estruturalistas, as causas da inflação estão associadas a conflitos distributivos, ou seja, empresários defendendo suas margens de lucro, trabalhadores tentando manter seus salários e o governo mantendo sua parcela por meio de impostos, preços e tarifas públicas.

Efeito da Inflação sobre a distribuição de renda


A questão mais séria provocada pela inflação é a redução do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos. Nesse caso são os assalariados, que, com o passar do tempo vão ficando com seus rendimentos cada vez mais reduzidos, até a chegada de um novo reajuste. A inflação afeta principalmente os trabalhadores de baixa renda, que não conseguem se proteger, por exemplo, com aplicações financeiras, pois consomem praticamente tudo de sua renda. Por isso, costuma-se dizer: a inflação é um imposto sobre o pobre.

Os proprietários que recebem renda de aluguel também sofrem perda de rendimento ao longo do processo inflacionário, pois os alugueis estão normalmente atrelados a contratos que fixam seu valor por determinado prazo.

Mas nem todos se dão tão mal assim: Empresas oligopolizadas têm condições de repassar os aumentos de custos provocados pela inflação, garantindo suas margens de lucro. O governo, por meio de impostos, também consegue se defender.

Breve História da inflação no Brasil

http://www.sindsepmg.org.br

A hiperinflação ocorre quando a inflação fica elevadíssima e fora de controle. Além de corroer o poder de compra do consumidor, a alta generalizada e contínua dos preços costuma provocar recessão e desvalorização acentuada da moeda.
No Brasil, a hiperinflação ocorreu entre as décadas de 1980 e 1990, quando a inflação chegou a superar os 80% ao mês. O mesmo produto chegava a quase dobrar de preço de um mês para o outro.

Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que entre 1980 e 1989, a inflação média no país foi de 233,5% ao ano.

As causas da hiperinflação brasileira

 As causas da hiperinflação no país costumam ser relacionadas ao aumento dos gastos públicos durante o governo militar e pela elevação do endividamento externo, agravado pela crise mundial derivada do aumento dos preços do petróleo e pela retração na taxa de expansão da economia.

A política de substituição das importações – que vinha desde o governo Juscelino Kubitschek – fez crescer os gastos públicos, e o “milagre econômico” entre o final dos anos 1960 e o início da década de 1970 (quando a economia brasileira cresceu à média de 10% ao ano) foi financiado por empréstimos internacionais.
A partir de 1973, quando a crise internacional do petróleo fez o custo do barril subir 400% em três meses, a economia brasileira passou a apresentar taxas de inflação crescentes. O PIB já não crescia tanto e o Brasil entrou na década de 1980 com inflação, dívida externa elevada e indústria defasada.

Na hiperinflação crônica, as causas se sucedem e se realimentam. O choque do petróleo pode ter dado início à crise hiperinflacionária, mas ela foi intensificada por desvalorizações da moeda, para manter o Brasil competitivo e pelo aumento do dinheiro em circulação para financiar a dívida externa.

Pasmem: Foram cerca de 15 anos de inflação acima de dois dígitos e de correção monetária. Comerciantes remarcavam diariamente os preços dos produtos, que sumiam rapidamente das prateleiras, já que a população estocava alimentos por temer as sucessivas altas. Preços e salários eram reajustados automaticamente assim que era divulgada a inflação do mês anterior.

fonte: http://www.foodmagazine.com.br

 O salvador da pátria: Plano Real

fonte: http://www.aldeiaglobal.net.br

Após quase uma dezena de planos econômicos fracassados, o Plano Real marcou o final do período de instabilidade monetária e altas taxas de inflação, que chegaram a atingir 5.000% ao ano, de julho de 1993 a junho de 1994. Junto com o plano, veio a nova moeda, o real – a quinta em uma década.

Lançado no início de 1994, durante o governo Itamar Franco, o plano baseou-se, num primeiro momento, no equilíbrio das contas do governo, com redução de gastos, aumento de impostos e privatizações. O governo também promoveu a desindexação da economia – isto é, a inflação passada deixou de corrigir automaticamente preços e salários. Isso porque o Plano Real também se baseou na existência de inflação inercial. Considerava que o gasto público em excesso e os mecanismos de indexação eram os principais motivos da inflação.

A medida mais visível foi a nova troca de moeda. Antes do real, a moeda que circulava no país era o cruzeiro real (CR$), vigente de 1º de agosto de 1993 até 30 de junho de 1994. Em fevereiro de 1994, foi criada a Unidade Real de Valor (URV), uma moeda fictícia, cujo valor, em cruzeiros reais, era estabelecido diariamente. Assim, a hiperinflação seguia em cruzeiros reais, mas não em URVs.

Em 1º de julho de 1994, uma URV passou a ser igual a R$ 1 e o novo dinheiro entrou em circulação no país. Distribuir as notas e moedas do real pelo país foi uma das maiores operações de logística já vistas.

Em 1999 se iniciou o regime de metas de inflação, em que as autoridades monetárias (Conselho Monetário Nacional – CMN) se comprometem a cumprir metas estabelecidas para o ano corrente e próximo. Uma das formas de buscar atingir essa meta é por meio da taxa Selic. Ao elevar os juros, o governo encarece o custo do dinheiro, e faz cair a procura por produtos e serviços à venda. Vamos entender melhor isso em seguida.

O controle da inflação pela TAXA DE JUROS – entendendo a Política Monetária

fonte: http://www.tribunadainternet.com.br

Para manter o nível de inflação esperado, o governo faz uso da política monetária, por meio da taxa básica de juros, a Selic.
Assim, caso o Banco Central observe que a inflação corre o risco de superar a meta, a tendência é elevar os juros.
A taxa de juros determina o nível de consumo do país, já que a taxa Selic é utilizada nas transações bancárias e, portanto, influencia os juros de todas as operações na economia. A Selic é utilizada pelos bancos como um parâmetro. A partir dela, as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às empresas.

Caso os juros do país estejam altos, o consumidor tende a comprar menos, porque a prestação de seu financiamento vai ser mais alta. Isso reflete na queda da inflação.

Do contrário, se uma mercadoria ou serviço não forem tão procurados, o preço tende a cair para atrair mais compradores.

O objetivo de controlar a inflação não significa manter a inflação igual a zero. Mesmo os países mais desenvolvidos não buscam essa meta. Por exemplo os Estados Unidos, cujas taxas de inflação ficam entre 2% e 3% ao ano. Na verdade, o que se busca é evitar períodos de aceleração permanente no crescimento dos preços e manter a inflação em patamares reduzidos.

Países que não controlam suas taxas de inflação, não conseguem promover, de forma sustentada, o crescimento da produção de bens e serviços. O Brasil dos anos 80 é uma prova dessa situação: ficou praticamente estagnado durante toda a década em um processo inflacionário agudo.

Medição e projeção da inflação: Qual a importância disso?

 

fonte: http://g1.globo.com

As projeções relativas à inflação têm, pois, um importante papel, sobretudo, quando se negociam salários, ou mesmo, quando as empresas fixam os seus preços.

Se as expectativas são que a inflação vai ser elevada, então os trabalhadores vão exigir salários mais elevados, para compensar as perdas reais, e as empresas, por sua vez, vão passar esse aumento para o consumidor, aumentando seus preços. As empresas também podem antecipar esse aumento subindo o preço dos seus bens. As expectativas podem ou não se materializar, mas o seu comportamento vai influenciar bastante o desempenho econômico, podendo mesmo gerar períodos inflacionistas.

Sendo assim, a inflação precisa ser constantemente medida para depois ser projetada. No Brasil há diversos índices de inflação. Os diferentes índices utilizam em seus cálculos faixas de renda diferentes, regiões diferentes, itens diferentes e até períodos diferentes. Isso contribui para tornar mais segura a medição da inflação no país. Iremos ver o IPCA a seguir, cuja a importância você perceberá logo logo.

O que é o IPCA?

fonte: http://www.radioliberdade104.com.br

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), foi criado com o objetivo de oferecer a variação dos preços no comércio para o público final.

O IPCA reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

O período de coleta do IPCA vai do primeiro ao último dia de cada mês. A pesquisa é realizada em estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, domicílios (para verificar valores de aluguel) e concessionárias de serviços públicos.

São considerados nove grupos de produtos e serviços: alimentação e bebidas; artigos de residência; comunicação; despesas pessoais; educação; habitação; saúde e cuidados pessoais; transportes e vestuário. Eles são subdivididos em outros itens.

Sendo assim, mensalmente, cerca de 260 pesquisadores do IBGE fazem o levantamento dos preços de aproximadamente 22,5 mil produtos para obterem a variação mensal do IPCA e dos demais índices calculados pelo instituto.

O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do Brasil. O governo usa o IPCA como referência para verificar se a meta estabelecida para a inflação está sendo cumprida.

 E como está atualmente o IPCA? E para o próximo ano?

fonte: http://www.empreendedormagnetico.com.br

O Boletim Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira dia (06/11) apresenta que o mercado financeiro manteve as projeções dos principais indicadores econômicos brasileiros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 3,08%, mesma projeção da semana passada. Para 2018, a estimativa para o IPCA é mantida em 4,02% há quatro semanas consecutivas (Economia, 2016).

A perspectiva para inflação deste ano e para o ano que vem, continuam abaixo do centro da meta estipulada pela autoridade monetária, sendo que a meta é de 4,5%. Segundo o Banco Central, ainda existe a possibilidade de a inflação ter variação entre 3% (mínima) até 6% (máxima) (Economia, 2016).

As projeções para a taxa básica de juros (a Selic), também estão estáveis na última semana. O mercado financeiro estima que a taxa termine o ano de 2017 em 7%. Vale ressaltar que em outubro o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa de juros de 8,25% para 7,5%. Para o 2018 a estimativa dos economistas é que a Selic seja de 7%, ficando sem alteração ao longo do ano (Economia, 2016).

Esperamos ter descomplicado esse assunto para você, informando desde o que é realmente a inflação e seu histórico, passando pelos consequências que a alta inflação pode trazer e até como saber se realmente estamos em inflação, conhecendo indicadores como o IPCA e até mesmo as projeções futuras. Continue atualizado e bem informado conosco e agora, comente aqui em baixo o que achou e sugira mais temas como este se você gostou!!!

Referência Bibliográfica

Economia – iG. Banco Central: mercado mantém projeção da inflação e do PIB para este ano. Disponível em: http://economia.ig.com.br/2017-11-06/banco-central-projecoes.html. Acesso em: 07 de nov. 2017.

Tutora

Clariana Ribeiro

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