Principais apontamentos sobre o estudo do luto em Psicoterapia

Por Maxi Educa 02 mar 2018 - 3 min de leitura
3 min

O luto é uma experiência universal. Está incluso na classificação da 4ª edição do Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-IV) no eixo relativo à avaliação global de funcionamento. Também foi incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), na categoria Z, de exame geral e investigação de pessoas sem queixas ou diagnóstico relatado. Os estudos sobre o tema ainda são poucos se comparados a outros quadros de saúde mental.

Uma pessoa pode manifestar diversos sinais e sintomas em relação à perda, tanto cognitivos, emocionais, comportamentais ou físicos. Por isso deve-se tomar cuidado no diagnóstico diferencial entre luto e quadros de depressão. Os clientes enlutados apresentam maior vulnerabilidade a problemas psicossomáticos.

O CASO DO LUTO

O luto é uma experiência universal. Está incluso na classificação da 4ª edição do Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais (DSM-IV)

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Silva e Nardi apresentam um caso de tratamento de luto. A cliente foi uma mulher de 28 anos de idade, casada, que perdeu o filho mais velho, de 7 anos, em um acidente. Ela apresentava bom relacionamento com o marido antes do acidente, porém brigas começaram logo após. Distanciou-se de amigos e não consegue voltar ao trabalho. Relata dores no estômago, náuseas, dores no peito e dores de cabeça. Já se consultou com três médicos diferentes antes da psicoterapia, porém nenhum encontrou qualquer problema orgânico. Há, ainda, o relato de choro e acessos de raiva.

PROCEDIMENTO

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Utilizou-se para a avaliação do progresso do tratamento as escalas de autorrelato Beck Anxiety Inventory (BAI), Beck Depression Inventory (BDI) e Beck Hopelessness Scale (BHS), que medem, respectivamente, intensidade de ansiedade, depressão e desesperança. O Questionário de Saúde Geral de Goldberg (QSG), que identifica a gravidade de distúrbios psiquiátricos menores, também foi utilizado. Fez-se uso de alguns testes, como o teste de Atenção Concentrada (AC) e Atenção Sustentada (AS), que avaliam a concentração e a capacidade de manter a atenção em uma tarefa ao longo do tempo.

Foram realizadas 12 sessões, com intervalos de 1 semana, durante 3 meses. O enfoque foi a terapia cognitivo-comportamental, através do protocolo para casos de enlutamento, que visa a valorização do aprendizado de novas habilidades, possibilitando a readaptação do sujeito ao seu ciclo de vida.

Um esclarecimento sobre as fases de luto e sobre como as alterações cognitivas, fisiológicas e comportamentais consideradas comuns nesse período, foi feito através da função psicoeducativa, com o intuito de reduzir os níveis de ansiedade. Utilizou-se técnicas para o controle da ansiedade e da depressão em momentos agudos. Depois, trabalhou-se a resolução de problemas pendentes entre o sujeito e o ente perdido. O último bloco buscou proporcionar a readaptação à vida cotidiana.

RESULTADOS

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Os resultados obtidos mostraram uma redução da ansiedade, que era considerada grave no começo, passando para leve ao final do tratamento. A depressão passou de grave para moderada, porém com um grande avanço. A desesperança foi de moderada a leve. Ainda houve uma melhora nos níveis de concentração, acarretado pela diminuição da ansiedade e depressão. Os fatores orgânicos também apresentaram melhoras, diminuindo problemas relacionados ao sono e problemas psicossomáticos. A confiança também apresentou avanço.

Apesar da escassez de protocolos terapêuticos padronizados com eficácia comprovada dirigidos a perdas de filhos, o tratamento mostrou-se efetivo, colaborando para uma melhora de vida e facilitando a reinserção social da cliente. Além disso, esse estudo amplia os limites da terapia cognitivo-comportamental, com a abertura de novas áreas para trabalhos.

Esperamos que tenha conseguido contribuir com seus estudos. Deixe-nos um comentário e aproveita para visitar o blog do nosso amigo Alan Martins: https://anatomiadapalavra.wordpress.com/2018/02/22/relato-um-caso-de-luto-em-psicoterapia/

Ah e acompanhe as 5 fases do luto.  Trata-se de um vídeo curto e objetivo para somar ainda mais conhecimento:

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

SILVA, A. C. de O. e; NARDI, A. E.. Luto pela morte de um filho: utilização de um protocolo de terapia cognitivo-comportamental. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul, 32-3, p. 113-116. 2010.

Elaboração: Alan Martins

 

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