COMO TRABALHAR A PSICOLOGIA NA LITERATURA DE MODO CONSTRUTIVO PARA SEU APRENDIZADO

Por Maxi Educa 03 jul 2017 - 6 min de leitura
6 min

Como todo mundo que já visitou este blog, ao menos alguma vez, já deve saber que sou um grande amante da literatura. Uma das coisas que mais gosto de fazer é ler, principalmente com a finalidade de entretenimento; ler é um excelente passatempo. Além da função de proporcionar prazer, da mesma forma que a ato de assistir a um filme também faz, esse tipo de leitura acaba nos ensinando algo.

Contribuição da Literatura Estrangeira

Fonte: https://literaturaestrangeira.wordpress.com

A literatura estrangeira nos passa uma visão de outras culturas, damos de cara com informações que o autor pesquisou para enriquecer sua história; não é apenas ler por ler, você está enriquecendo seu vocabulário a cada página. A pessoa que não lê não possui os subsídios necessários para a escrita, pois ela não descobrirá novas palavras, expressões e não possuirá um modelo de como fazer. Uma leitura mais aprofundada permite analisar como o autor fez, as fontes que ele utilizou para criar sua obra, que podem ser as mais variadas possíveis.

Estudo da Psicologia

 Contribuição da literatura para o estudo da PsicologiaFonte: http://www.baudovalentim.net

Uma fonte muito utilizada pelos autores é a Psicologia, pois é a ciência que estuda o homem da forma mais intensa possível; o homem e suas relações são os objetos de estudo dessa área. Este post pretende analisar, de forma superficial, como a literatura se beneficiou da Psicologia e como ela é apresentada nos livros. Ao menos dando minha visão, argumentando a partir dos livros que já li. Para fazer uma análise mais minuciosa, seria necessário muito mais tempo de estudo, tanto de literatura, quanto de ciência. A intenção é chegar lá um dia, mas por enquanto ficamos com essa versão mais modesta. A introdução do assunto.

Antes de termos como consciente, inconsciente, análise do comportamento ou cognitivismo serem utilizados para o estudo e como tentativa de explicar o ser humano, outros termos eram utilizados para descrever os motivos das ações do homem. Já foi dito que a alma era a essência do ser, que comportamentos considerados estranhos ou negativos eram obras de possessões demoníacas, que comportamentos positivos e grandes feitos eram manifestações do divino. Cada época possuía um discurso que era tomado como a verdade, e esse discurso influenciava os artistas e, consequentemente, suas obras. Alguns desses discursos estão presentes até hoje, na vida real e na arte.

Entretanto, o desenvolvimento das ciências humanas proporcionou um maior aprofundamento na escrita de maneira geral, principalmente na criação dos personagens.

Psicanálise

fonte: https://shop.freud.org.uk

A Psicanálise é muito utilizada na criação de personagens. Grande parte dos autores se baseiam nessa área de estudo para a criação da personalidade das personagens, seus motivos, seus conflitos internos, o passado interferindo no presente. Não é de menos, já que Freud desenvolveu um complexo sistema (aparelho psíquico) que explica nosso eu atual a partir de frustações experenciadas no passado, principalmente na infância. A visão psicanalítica é uma visão muito romântica, faz enorme sentido utiliza-la na literatura.

A Psicanálise não possui um objeto de estudo observável, palpável, necessitando se basear em uma metaciência para se desenvolver. Isso não diminui nem aumenta a cientificidade de algo, pois a astronomia, até a ciência quântica, são áreas de estudos sérios e muito respeitados, mas áreas onde não é possível manipular e nem mesmo isolar seu objeto de estudo, sendo teorias válidas, apesar disso. O estudo do inconsciente também não pode ser manipulado e nem isolado. Isso, de certa forma, instiga a mente, de uma maneira mágica ou fantasiosa. Estimula a imaginação, dá asas ao artista.

Ela está presente em livros que possuem personagens com transtornos mentais, onde há o delírio. A Metamorfose, de Kafka, talvez seja o melhor exemplo disso. Os enredos onde essa ciência aparece são os mais sensíveis, apresentam mais sentimentos, emoções. Quando uma personagem sofre um trauma, ela se consulta com um analista que se baseia na psicanálise. Muitas obras inglesas atuais apresentam personagens com conflitos internos, sofrimento psíquico, com uma forte influência psicanalítica. O fato de Freud ter vivido seus últimos anos de vida em Londres pode ser uma provável explicação para essa influência da Psicanálise sobre muitos autores ingleses.

Behaviorismo

Fonte: http://secretariadograciele.blogspot.com.br

Já o Behaviorismo, a teoria comportamental, não está muito presente na construção das personagens, mas sim no contexto onde elas estão inseridas. Essa área da Psicologia é muito utilizada em distopias, onde há uma grande repressão exercida pelo governo sobre o povo, situações desfavoráveis. Skinner disse que o Behaviorismo era pouco compreendido, diziam-se que se tratava de uma teoria que poderia ser utilizada para o mal, por pessoas com intenções duvidosas. Parece que muitos autores não entenderam muito bem a teoria, ou apenas acharam interessante possuir uma base científica que justificasse seus enredos. A teoria do estímulo-resposta, principalmente, está presente em diversas distopias. Um exemplo clássico é Laranja Mecânica, onde o protagonista Alex, um jovem que apresenta comportamento violento é forçado a um experimento que modificaria seu comportamento, tornando-o mais dócil; um experimento totalmente baseado em estímulo-resposta, assim como é feito com ratos de laboratório. A visão não muito romântica do Behaviorismo na literatura pode se dar pelo fato de se tratar de uma ideia simples, mas que pode explicar coisas complicadas quando utilizada de maneira correta, diferente da Psicanálise, que é apresenta ideias bastante complexas.

Continuando a falar sobre enredos onde uma grande repressão está presente, podemos citar a Psicologia Social, que é fortemente baseada na Sociologia. Por ser uma teoria com forte engajamento político, ela apresenta uma ampla gama de informação para a construção desse tipo de governo na literatura. As coerções exercidas sobre o povo, os meios de controle (nesse caso, essa teoria e o Behaviorismo caminham juntos), as instituições políticas, a economia, que também é uma forma de controle. Muitos autores recentes utilizam conflitos sociais em seus enredos, o que é um objeto de estudo dessa psicologia. Conflitos raciais, sexuais, violência contra a mulher; são todos temas muito explorados atualmente, tanto na literatura, quanto nas ciências sociais. Também é possível analisar obras antigas baseando-se nessa teoria e fazer um levantamento de como era a sociedade da época, como ela vivia, suas tradições, sua cultura. Cultura é uma palavra muito utilizada nas teorias sociais, e uma palavra muito presente na literatura como um todo.

Um estudo muito mais amplo pode ser feito utilizando essas duas áreas. Certamente será possível encontrar fatos interessantíssimos relacionando Literatura e Psicologia. Não apenas em como a ciência influencia na escrita, mas também em como os livros e histórias exercem algum papel em nossa formação, na formação da subjetividade. Talvez futuramente seja possível realizar esse tipo de estudo, que servirá como uma grande fonte de informação, tanto para a Psicologia, quanto para outras áreas das Ciências Humanas, como Letras, Sociologia e Filosofia. O que espero é que esse post seja interessante ao leitor, e que sirva de maneira informativa. Quem sabe você não faça uma leitura mais aprofundada do próximo livro que ler. A literatura é um produto do homem, e certamente o constrói. Um livro não é apenas parte intrínseca do autor, mas também de uma sociedade.

 

E aí o que achou da nossa postagem? Preciso da sua participação para abrilhantar ainda mais meus posts.

Fique ligado nas nossas próximas publicações.

 

Elaboração: Alan Martins

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